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Voluntariado: “Me encanto ao colocar em prática os ensinamentos de Jesus”

sexta-feira, maio 29th, 2020 330 views

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Criado em berço evangélico, com pais não muito religiosos e influência católica, Pedro Ivo Albuquerque sentia falta de praticar sua religiosidade quando, aos 22 anos, fez a primeira comunhão.

Dois anos antes, a avó de um amigo os levou à ala pediátrica do Hospital da UnB. “Era época natalina e fizeram uma festa de final de ano para as crianças internadas. Foi onde recebi um dos melhores e mais marcantes abraços de minha vida”, lembra.

Eram duas garotinhas com doença infectocontagiosa, conta ele, que não vivenciavam calor humano havia um tempo.

“Anos mais tarde, comparei esse dia a um ensinamento de Madre Teresa de Calcutá, que dizia que Jesus protege aqueles que agem em Seu nome. Ela, que cuidava de leprosos sem medo de se contaminar. O espírito André Luís relata, nos  livros psicografados por Chico Xavier, vários episódios explicando como isso funciona na espiritualidade”, relata.

Naquele dia, Pedro foi contagiado pelo trabalho voluntário, que engatinhou durante anos até se consolidar na Comunhão Espírita.

Caminho percorrido

Albuquerque começou a frequentar a Comunhão em 2014, quando pôde entender um pouco mais sobre a Doutrina Espírita. Segundo ele, pela primeira vez, muitas respostas foram comprovadas na sua vida.

“Uma delas foi quando li o livro “Deixa-me viver”. Foi no mesmo período em que fiz o curso sobre Evangelho segundo o Espiritismo, concomitante ao Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Fazia os dois cursos toda segunda-feira, das 18h30 às 21h30, logo depois do meu trabalho semanal na ABRACE, onde cuidava de uma horta orgânica e coordenava um trabalho com menores infratores”.

Os ensinamentos do livro chocaram o voluntário. Como sempre teve relação forte com crianças e adolescentes, narra que sentiu uma vontade incontrolável de fazer algo por elas.

“Resolvi procurar a central de voluntários da Comunhão para participar do grupo de apoio às gestantes. Na época, falaram que era só para mulheres. Depois vi que esse critério nunca existiu, mas foi essa impossibilidade que me levou ao grupo Auta de Souza de atendimento a famílias”, resgata Pedro.

Dois meses se passaram até sua primeira reunião, quando ficou encantado com a coordenadora, Maria Inês, que foi a responsável, na época, por apresentá-lo ao subgrupo recém-criado.

“A coordenadora virou grande amiga, inclusive foi quem me apresentou à minha futura esposa, marcando definitivamente minha vida”.

O trabalho com as famílias assistidas

Meses depois, os voluntários foram convidados  a preparar uma festa de natal. Foi nesse momento que puderam se aproximar da Maria Teresa, diretora de Promoção Social da Comunhão, e criaram os laços necessários para formar a nova coordenação do grupo do segundo sábado de visitas às famílias assistidas.

“Pouco depois, Maria Inês precisaria se ausentar e nos pediu para dividir o trabalho que ela vinha fazendo com incrível competência. Dividimos as tarefas e nos juntamos aos coordenadores dos outros dias. Hoje posso ver o caminho percorrido”.

Até se encontrar nas atividades de voluntariado, Pedro Ivo passou por todo tipo de trabalho. “Me encanto com o sentimento, o bem-estar e o quanto me melhora botar em prática os ensinamentos do Mestre”.

Caixinha de boas experiências

O voluntário comenta que aprendeu a ter uma caixinha de boas experiências na sua cabeça, na qual coloca tudo que funciona e prospera.

“Quantas pessoas se envolveram com o trabalho, quanta boa vontade e frutos já tivemos. Temos tantas histórias emocionantes”, diz.

Uma experiência que ele compartilha é sobre uma garotinha que teve sua escola de música fechada por ter tido os poucos instrumentos musicais roubados. “Um subgrupo do Paranoá, vendo o desequilíbrio emocional da criança, resolveu ver o que podia fazer para motivá-la novamente”.

O grupo de voluntários conversou com o professor responsável pela escola de música. “Ele disse que precisaria de grades, muro e instrumentos novos. O subgrupo conseguiu reabrir a escola de música e os garotos se apresentaram na festa de Natal da Comunhão. Me emocionou, ensinou e motivou em especial”.

Naquela apresentação, Pedro percebeu que as crianças estavam tocando, formando uma orquestra, porque o grupo de voluntários esteve na casa daquela garotinha. “Ela voltou a sorrir, as crianças ganharam disciplina, motivação, saíram das ruas e do ócio improdutivo. Ganharam autoestima, respeito e aprenderam a reconhecer sua capacidade”.

E tudo aconteceu porque o grupo de voluntários existe. De uma forma ou de outra, lembra Pedro, ajudamos a nós mesmos e mudamos vidas.

“Conhecemos pessoas incríveis. Aprendemos a nos reconhecer em cada situação apresentada. Sou muito grato à Comunhão pelo bem que ela me permite fazer através desse trabalho conjunto, que passa pelos doadores, voluntários, funcionários e pela espiritualidade. Mas sou grato, principalmente, pelo bem que ela me ajuda a proporcionar a mim mesmo”.

Essa é mais uma história de voluntários da Comunhão. Não leu as anteriores? Veja aqui: “São pessoas que precisam não só de comida, como também de atenção, afago e informação”“A emoção toma conta do meu coração e é naquele instante que recebo todas as bênçãos e paz”“Encontrávamos esperança e amor a cada visita, mesmo com todas as dificuldades”“É como se algo dentro de mim se transformasse”A dinâmica da generosidadeQuando uma frase muda a nossa vidaAlmoço de sábado na comunidade Sol Nascente, “Na casa das famílias assistidas é onde realmente colocamos o amor em ação” e O dia em que conheci a Rafaela.

Quer inspirar outras pessoas? Conte também a sua história. Entre em contato diretamente com a voluntária Nicole Guimarães (comunhaoascom@gmail.com).

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Existem três formas de colaborar:

1 – Doações podem ser entregues no Almoxarifado da Comunhão Espírita de Brasília, que funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; e aos sábados, das 9h às 15h;

2 – Doe diretamente para a conta bancária do BRB (Agência 0204 Conta 030.114-8) ou BB (Ag. 3599-8, conta 221.858-5) CNPJ: 00.307.447/0001-08;

3 – Compre livros através do delivery da Livraria Mário de Carvalho. Os pedidos podem ser feitos de segunda a sábado, das 13h às 18h, pelo telefone 3048-1818, ou pelo email livraria@comunhaoespirita.com.

Caso tenha dúvidas, entre em contato pelo e-mail daf.comunhao@gmail.com.



Voluntariado: “São pessoas que precisam não só de comida, como também de atenção, afago e informação”

sexta-feira, maio 22nd, 2020 427 views

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Entre idas e vindas, Flora Mendonça frequenta a Comunhão Espírita há uns 15 anos. Além do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que realizou duas vezes, também já foi voluntária no abrigo Nosso Lar.

“Estive afastada da Comunhão por um período, mas resolvi voltar. Sinto algo dentro de mim que sempre me chama para o estudo e para o trabalho voluntário”, diz.

Foi em um desses retornos à Casa que assistiu aulas com Jucélia Ferreira, diretora de Promoção Social da Villa Cristã Comunhão Espírita.

“Ela me fez o convite para conhecer o trabalho realizado lá. Não nego que foi intimidador no começo, pois fica um pouco distante do Plano Piloto, o que acaba sendo uma das barreiras para que mais pessoas se voluntariem”. No entanto, segundo Flora, todos os entraves ficam para trás ao se chegar na Villa, pois o trabalho realizado lá é lindo.

“Diversas famílias da região são assistidas. São pessoas que precisam não só de comida, como também de atenção, afago e informação. Lá são oferecidos cursos profissionalizantes para que as pessoas possam se qualificar e obter uma renda para ajudar em casa”, nos conta.

Flora faz parte da equipe que cuida das crianças enquanto os pais realizam cursos ministrados por outros voluntários. “Geralmente, são muitas crianças e eu ajudo com a recreação das maiores. Acabei virando a tia do futebol, logo eu, que nem gosto de futebol. Coisas da vida, né?”.

É na Villa Cristã que, ao menos uma manhã da semana, as crianças podem tomar café da manhã e almoçar. Além disso, por um momento, podem esquecer da dura realidade em que vivem e ser apenas crianças jogando bola com seus colegas. “Podem ter o direito de apenas se divertirem”, conclui.

Essa é mais uma história de voluntários da Comunhão. Não leu as anteriores? Veja aqui: “A emoção toma conta do meu coração e é naquele instante que recebo todas as bênçãos e paz”“Encontrávamos esperança e amor a cada visita, mesmo com todas as dificuldades”“É como se algo dentro de mim se transformasse”A dinâmica da generosidadeQuando uma frase muda a nossa vidaAlmoço de sábado na comunidade Sol Nascente, “Na casa das famílias assistidas é onde realmente colocamos o amor em ação” e O dia em que conheci a Rafaela.

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Voluntariado: “A emoção toma conta do meu coração e é naquele instante que recebo todas as bênçãos e paz”

sexta-feira, maio 15th, 2020 422 views

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Cida Farias procurou a Comunhão Espírita em 2016. Um dia, após assistir a uma palestra, passou na frente da sala dos voluntários. “Recebi um folder com todas as informações sobre os trabalhos desenvolvidos pela Diretoria de Promoção Social da casa. Fiquei encantada com tanta opção”, lembra.

Imediatamente, Cida se inscreveu em diversas atividades: Visita às famílias assistidas no 4º sábado de cada mês, em Samambaia; Lar dos Idosos Bezerra de Menezes no 1º domingo, em Sobradinho; e Sopa Fraterna no 3º domingo, em Samambaia.

Para a voluntária, “cada um dos trabalhos possui sua forma de acolhimento e de ajuda ao próximo. Todos enobrecem nossa ação de caridade. Primeiro, conosco mesmo. Depois, com os outros. Foi amor à primeira vista em todos eles”, nos conta.

Nas visitas às famílias assistidas, os grupos de voluntários levam tanto o alimento material como o espiritual e cada família, normalmente, é assistida durante 6 meses. “Somos recebidos com sorrisos e abraços, com uma naturalidade que faz com que nos tornemos eternos amigos. Eu retribuo cada gesto com muito carinho e respeito”.

Experiência mais marcante

 A história mais marcante para Cida foi a de uma família composta por um casal e 6 filhos que não tinha água disponível nas torneiras há mais de 1 ano.

“O lote em que eles moravam era residencial e comercial. A parte comercial foi alugada e os inquilinos não pagaram as contas, que se acumularam de uma forma que era impossível de quitar”, comenta.

A família utilizava a água da chuva para cozinhar, dar banho nas crianças, limpar a casa e lavar as roupas. Às vezes, conseguiam água dos vizinhos. A voluntária diz que era uma situação terrível e difícil.

Foi então que, mais uma vez, voluntários da Comunhão fizeram a diferença. “Conseguimos na justiça, através de um advogado do grupo, o desmembramento do lote comercial do residencial, contratamos um pedreiro para construir o local da caixa d’água, colocar o registro e toda estrutura para recebimento da água”.

Após quase 2 anos sem água, no Natal, a família pôde tomar banho de chuveiro e usar o banheiro de uma forma higiênica e humana. “Foi uma alegria e uma felicidade receber o vídeo de todos no chuveiro ao mesmo tempo, as crianças com aquele sorriso lindo. É uma sensação de missão cumprida conseguir devolver a dignidade ao ser humano. Não tem como explicar”.

Até hoje, o grupo de voluntários recebe mensagens de agradecimento dessa família.

Lar de Idosos

 Em relação ao trabalho no lar de idosos, os voluntários levam a alegria, o abraço e a conversa. Embora não possam compreender o que a maioria diz, devido aos problemas decorrentes de enfermidades como AVC e Alzheimer, Cida destaca que a comunicação flui.

“Os idosos se sentem valorizados, acolhidos, vivos. O sorriso sem dentes, a cabeça branca, a lucidez de alguns, o olhar vazio de outros. Mas quando chego é uma festa! Alguns sabem meu nome e, quando me veem, gritam de longe. A emoção toma conta do meu coração e é naquele instante que recebo todas as bênçãos e paz”.

Quando sai das visitas, Cida diz que renova suas atitudes e a gratidão predomina no seu pensamento. “Elevo meu olhar a Deus e agradeço por poder andar, falar, me alimentar sozinha, pela vida. Vejo que não tenho dificuldade nenhuma. É outro trabalho que não tem preço, continuo sendo a melhor beneficiada pela caridade por estar com eles em apenas duas horas do meu dia e não me custa absolutamente nada”, se emociona.

 Sopa Fraterna

O trabalho da Sopa Fraterna é um encontro direcionado a famílias, em sua maioria compostas por mulheres que cuidam dos seus filhos sozinhas e não trabalham.  Algumas, lembra Cida, também são vítimas de violência doméstica, possuem vícios, cuidam de filhos especiais e passam pela gravidez na adolescência.

A trabalhadora da Comunhão sublinha que esse é um contexto que não costuma estar presente na realidade do dia a dia dos voluntários. “Servimos o alimento através de café da manhã, cestas básicas e a sopa que sai quentinha da Comunhão. O alimento chega a mais de 60 pessoas que passaram o dia em palestras, evangelização infantil, passe”.

O convívio nessa atividade é das 8h às 16h com muitos abraços, sorrisos, histórias tristes e diversão. “Naquele momento elas estão pensando em Jesus, no acolhimento de suas dores interiores, em se melhorarem através das palavras do Evangelho e nós estamos ali com nosso coração aberto, sem julgamentos, abrindo nossos sorrisos e abraçando cada pessoa”.

Alegria e felicidade por existir

Mais uma vez, Cida Farias enfatiza o quanto se sente realizada em ajudar, conversar, levar às pessoas um pouco de paz, harmonia, carinho e ternura que elas não têm na vida diária. É um momento, lembra ela, de se colocar no lugar do outro e chegar em casa abraçando e beijando nossos filhos.

“É sem explicação o tamanho da alegria e da felicidade por existir, acreditando que podemos viver com muito pouco materialmente. O amor que recebemos de todos é o que nos move e nos faz tanto bem em servir, ser útil, realizar sonhos só por ouvir suas queixas e sofrimento”.

Cida deixa o convite a todos amigos, amigos de amigos e estudantes da Doutrina Espírita para que participem dos trabalhos voluntários desenvolvidos pela Diretoria de Promoção Social. “Não é necessário dom perfeito para servir uma água, passar manteiga num pão. Somente a boa vontade, a alegria, o sorriso e o abraço fraterno são necessários. São todos bem-vindos na Seara do Cristo, onde Ele trabalha usando nossas mãos”, encoraja.

Essa é mais uma história de voluntários da Comunhão. Não leu as anteriores? Veja aqui: “Encontrávamos esperança e amor a cada visita, mesmo com todas as dificuldades”“É como se algo dentro de mim se transformasse”A dinâmica da generosidadeQuando uma frase muda a nossa vidaAlmoço de sábado na comunidade Sol Nascente, “Na casa das famílias assistidas é onde realmente colocamos o amor em ação” e O dia em que conheci a Rafaela.

Quer inspirar outras pessoas? Conte também a sua história. Entre em contato diretamente com a voluntária Nicole Guimarães (nicole.guimaraesoc@gmail.com).

 

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1 – Doações podem ser entregues no Almoxarifado da Comunhão Espírita de Brasília, que funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; e aos sábados, das 9h às 15h;

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3 – Compre livros através do delivery da Livraria Mário de Carvalho. Os pedidos podem ser feitos de segunda a sábado, das 13h às 18h, pelo telefone 3048-1818, ou pelo email livraria@comunhaoespirita.com.

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Voluntariado: “Encontrávamos esperança e amor a cada visita, mesmo com todas as dificuldades”

sexta-feira, maio 8th, 2020 308 views

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Mário Gordilho viveu muitos acontecimentos marcantes ao longo dos seus 4 anos de trabalho voluntário com as famílias assistidas pela Comunhão. A história com uma família vinda do interior da Bahia é inesquecível.

“Foi logo no início dos meus trabalhos como voluntário, em 2016. Eram dois filhos e um deles possuía doença rara que o fez perder todos os movimentos do corpo aos 15 anos, passando a ser totalmente dependente dos pais para sobreviver”.

Os pais, que tinham vida razoavelmente confortável no interior da Bahia, decidiram deixar tudo para trás e mudaram-se para Brasília em busca de melhores serviços de saúde para o filho. No início, viviam em moradia precária no Recanto das Emas. “Essa decisão já demostra a força do amor incondicional de um pai e uma mãe por seu filho. Pois bem, há muito mais”.

Pingo, como chamavam o rapaz, conseguiu ser atendido no Hospital da Criança e lá começaram a aparecer os anjos na sua vida. “Uma enfermeira, sensibilizada com a situação daquela família, ofereceu gratuitamente uma casa que tinha em Samambaia para eles morarem e conseguiu um emprego de motorista para o pai no hospital”, lembra Mário.

O primeiro passo estava dado. Logo depois, outro anjo apareceu. Dessa vez, um médico. Em seguida, o pedido de ajuda à Comunhão.

“Dada a urgência, a família logo começou a ser atendida pelo meu grupo. O que me impressionou muito nas primeiras visitas foi o amor que emanava daquela família, o nível de dedicação que aquelas pessoas simples, do interior, tinha com os filhos”.

Durante o tratamento de Pingo, o médico receitou um remédio com fabricação na França, raro, de um único fabricante mundial, e, por isso, bem caro. Cada frasco custava em torno de R$ 20 mil e a Secretaria de Saúde não o tinha em estoque.

“Com a ajuda do hospital e de uma associação de São Paulo, o pai procurou a Defensoria Pública do DF, que entrou com a ação solicitando o medicamento. Apesar do ganho da causa, a decisão judicial apenas determinou que o GDF depositasse o valor correspondente às caixas”, explica o voluntário.

Como o remédio era importado, havia custos para acondicionamento especial, logística, trâmites burocráticos de importação e despachante. Nesse meio tempo, Pingo começou a apresentar piora, com a doença afetando rins e fígado, e precisaria de transplante.

A reviravolta

Foi aí que o grupo de voluntários da Comunhão entrou em ação. “O medicamento era sua única chance de sobrevivência. Eu tomei a frente do processo de importação, entrando em contato com o despachante local e com o fabricante, na França. Em caso de qualquer rejeição no transplante, seria necessária a aplicação do medicamento”.

Após alguns meses, o medicamento chegou a Brasília e Pingo, alguns dias depois, recebeu a notícia de que haviam encontrado um doador compatível.

“É a espiritualidade em ação o tempo inteiro. Foi cronometrado, uma questão de dias após a chegada do medicamento, quando sabemos que, infelizmente, as filas de transplante em geral duram anos no Brasil”.

Pingo foi encaminhado para o Hospital das Forças Armadas e a cirurgia,  um sucesso. A recuperação foi ótima, e ele voltou a sair sozinho, estudar e ter vida normal dentro das possibilidades.

“Após uns 3 anos conosco, a família resolveu voltar para a Bahia, onde o pai do Pingo havia conseguido o emprego de volta. Uma alegria imensa para todo o grupo, uma sensação indescritível de dever cumprido, de lição recebida a cada mês que íamos à casa deles e encontrávamos esperança e amor, mesmo que com todas as dificuldades passadas”, compartilha Mário.

E não parou por aí: a história continuou acompanhando Gordilho. “Um ano após o ocorrido, contei essa história em uma sessão mediúnica na Comunhão e destaquei o acolhimento fraternal do médico e da enfermeira com Pingo. Ao final, um dos dirigentes se voltou a mim e disse: ‘Mário, esse médico sou eu’”.

O médico, trabalhador da Comunhão, deu todos os detalhes iniciais do tratamento e de tudo o que havia feito pelo rapaz e sua família. “Todos começaram a chorar na mesa. Um momento que guardarei por toda a minha vida”.

Um parênteses: o irmão de Pingo

Pingo tinha um irmão menor, de cerca de 10 anos, que o idolatrava. “Esse menino me fez chorar pela primeira vez no trabalho voluntário. Ele tinha o cabelo bem comprido. Um dia, brincando, falei que iria cortar o cabelo dele. Sua resposta: ‘Não, eu estou deixando crescer porque quero doá-lo para as crianças que fazem tratamento de câncer no hospital que trata tão bem o meu irmão’”.

Também queria ser bombeiro quando crescesse para ajudar outras pessoas. “Tais atitudes, vindas de uma criança de 10 anos, me comoveram profundamente. Uma lição de vida – a de que amor gera amor – ensinada por um menino de vida tão simples. Certamente, um espírito iluminado habita aquele corpo infantil”, conclui Mário emocionado.

Essa é mais uma história de voluntários da Comunhão. Não leu as anteriores? Veja aqui: “É como se algo dentro de mim se transformasse”A dinâmica da generosidadeQuando uma frase muda a nossa vidaAlmoço de sábado na comunidade Sol Nascente, “Na casa das famílias assistidas é onde realmente colocamos o amor em ação” e O dia em que conheci a Rafaela.

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1 – Doações podem ser entregues no Almoxarifado da Comunhão Espírita de Brasília, que funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; e aos sábados, das 9h às 15h;

2 – Doe diretamente para a conta bancária do BRB (Agência 0204 Conta 030.114-8) ou BB (Ag. 3599-8, conta 221.858-5) CNPJ: 00.307.447/0001-08;

3 – Compre livros através do delivery da Livraria Mário de Carvalho. Os pedidos podem ser feitos de segunda a sábado, das 13h às 18h, pelo telefone 3048-1818, ou pelo email livraria@comunhaoespirita.com.

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Famílias assistidas pela Comunhão não foram esquecidas durante a pandemia do novo coronavírus

quarta-feira, maio 6th, 2020 404 views

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A pandemia do novo coronavírus afetou a vida de muitas pessoas. Em pouco tempo, de forma repentina, muitas famílias e pessoas se viram em situações ainda maiores de vulnerabilidade e incertezas. Por conta desta nova realidade, o Grupo de Acompanhamento de Famílias da Diretoria de Promoção Social Auta de Souza (DPS), precisou se adaptar para continuar apoiando as famílias cadastradas com o básico em alimentos, material de limpeza e higiene pessoal.

Segundo Maria Tereza Carvalho, diretora da DPS, houve um receio inicial de que não houvessem doações suficientes para dar continuidade ao trabalho, uma vez que a Comunhão precisou fechar as portas por força do decreto emitido pelo Governo do Distrito Federal, e principalmente para preservar a vida dos médiuns, frequentadores e voluntários da Casa.

Entretanto, mesmo com o fechamento da casa, os trabalhos não pararam, a solidariedade e a generosidade permaneceram presentes e as doações continuaram a chegar. Segundo o Coordenador Geral do Grupo de Acompanhamento de Famílias, Ricardo Hosannah, campanhas online ajudaram a aumentar o número de arrecadações. “O resultado foi muito positivo. Estamos conseguindo levantar as doações necessárias e levar os materiais para as famílias que precisam. Neste momento, a comida é muito importante, pois traz a paz de espírito de que a família vai poder focar em outras preocupações que não buscar o alimento”, explicou.

Com o novo cenário, além das famílias que já estavam sendo assistidas pelo Grupo de Acompanhamento, foi observada a necessidade de atender de forma emergencial algumas famílias que já caminhavam sozinhas, mas que foram afetadas pela pandemia. Algumas tiveram a suspensão de seus negócios e empregos por conta das medidas de prevenção da COVID-19, como o distanciamento físico e fechamento do comércio e outras atividades econômicas.

Outra adaptação feita pelo Grupo de Acompanhamento de Famílias, é o não desligamento das famílias que estão sendo assistidas atualmente, após o período regular de atendimento (seis meses), em razão da impossibilidade de cumprir o programa de trabalho previsto. Desse modo, os atendimentos seguirão no modelo emergencial, com a entrega do apoio material.  “Não iremos desligar as famílias vinculadas atualmente, e também não serão realizadas novas visitas, pois demandam tempo para o levantamento de informações e a criação de vínculos entre a família e os voluntários, o que não é conveniente nesse momento”, explicou Hosannah.

Para não colocar as famílias e os voluntários em risco, as seguintes recomendações foram passadas aos voluntários: manter a sintonia com a espiritualidade; observar as medidas preventivas indicadas pela OMS, como evitar contato direto, higienizar as mãos, cobrir o rosto em caso de espirro ou tosse, e evitar aglomerações; realizar visitas com, no máximo, 2 voluntários por subgrupo; solicitar que voluntários com mais de 60 anos ou que estejam com sintomas de gripe, não participem das visitas.

Marcelo Alves de Oliveira é voluntário na DPS há 12 anos, e explica que mesmo com todas as adaptações que precisaram ser feitas durante a pandemia, e com as recomendações de segurança da OMS, ainda é possível levar carinho e atenção às famílias. “O contato físico não é recomendado, mas o olhar carinhoso e o sorriso é altamente recomendado. As famílias ficam emocionadas ao ver que, mesmo em um cenário de pandemia, elas não foram esquecidas. São pessoas com um histórico bastante duro, e eles reconhecem a importância deste acolhimento”, explica.

Para o voluntário, o momento atual também exige um pouco a mais da solidariedade de cada um de nós, seja na entrega da doação material, seja nas palavras amigas ou em um consolo, tão importante neste momento de incertezas e inseguranças. Além disso, precisamos manter viva a esperança de que dias melhores virão. “É importante que a gente não perca a fé e a consciência de que temos no leme do nosso navio o melhor capitão que poderia existir, e que ele vai nos levar em segurança ao nosso destino. Estamos aprendendo e desenvolvendo ainda mais nossa empatia, nosso desejo de fazer o bem“, conclui.

Para dar continuidade aos atendimentos as famílias, a Comunhão continua com as campanhas de arrecadação de alimentos não perecíveis. Para aqueles que não podem sair de casa, a Comunhão disponibiliza a opção de doações em depósito bancário. Você pode depositar na conta exclusiva da Diretoria de Promoção Social Auta de Souza (DPS) no BRB, Agencia 0204 – conta corrente 030.114-8.

Além da conta da DPS, a Comunhão também possui duas contas gerais, onde as doações apoiam também outras ações da Casa: Banco do Brasil, Agência 3599-8 – Conta 221.858-5; BRB Agência 204 – Conta 007.236-0 – CNPJ: 00.307.447/0001-08.

SAIBA MAIS SOBRE O TRABALHO DA DPS

Solidariedade em tempos de pandemia: voluntárias produzem máscaras para famílias assistidas pela Comunhão

No início de abril, o trabalho de Assistência e Promoção Social ganhou reforço com o apoio das senhoras dos grupos de costura e artesanato, que confeccionam máscaras que estão sendo entregues às famílias acompanhadas pela Comunhão e pela Villa Cristã, e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Leia a história completa aqui

Por Aline Kravutschke.

 



Voluntariado: “É como se algo dentro de mim se transformasse”

sexta-feira, maio 1st, 2020 401 views

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Foi em uma terça-feira à noite, quando estava repondo uma aula do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE), que Luciana Petry recebeu o convite que mudou sua vida.

“Estava passando por um momento de muita dor, sentindo um vazio muito grande dentro de mim e estava em busca de algo que me desse algum sentido, que preenchesse esse vazio. Foi então que a dirigente da turma fez um convite para conhecermos o trabalho voluntário da Villa Cristã Comunhão Espírita”, conta.

Ouvindo isso, não pensou duas vezes. No sábado seguinte, às 7h30, estava lá na Comunhão pronta para conhecer o trabalho.

Luciana lembra que, depois de uma hora de viagem, chegaram em Águas Lindas de Goiás, onde fica a Villa. “Fiquei completamente encantada com o lugar e, principalmente, com a recepção tão amorosa das crianças que frequentam o local. É maravilhoso”.

O trabalho da voluntária é ajudar na recreação das crianças enquanto as mães estão fazendo os cursos profissionalizantes. Foi a partir desse contato com as crianças, ela diz, que começou a preencher o vazio que existia dentro de si.

“O amor e o carinho que essas crianças me transmitem é tão maravilhoso que toda vez que eu saio de lá eu me sinto renovada, como se algo dentro de mim se transformasse. E tudo que elas querem é só um pouquinho de atenção, alguém que coloque elas no colo e preste atenção no que elas tem pra falar”.

A maioria das crianças frequentadoras da Villa Cristã Comunhão Espírita vem de famílias com mais de 4 filhos e com pais que, muitas vezes, não têm tempo nem condições de dar toda a atenção necessária.

Para Luciana, esses fatores acabam contribuindo para que “as crianças mais velhas tenham a tarefa de cuidar das mais novas, assumindo um papel que não é delas. Durante o período em que elas passam ali na Villa, conseguem ser crianças sem ter que se preocupar com nada além de se divertir”.

Todos os sábados a Villa Cristã Comunhão Espírita e seus voluntários proporcionam café da manhã, almoço e doações para as famílias que participam das atividades .

“Como estamos enfrentando esse momento de isolamento social, todas as ações presenciais da Villa estão suspensas e nossa maior preocupação é como as famílias assistidas estão enfrentando esse momento”, compartilha a voluntária.

Essa é mais uma história de voluntários da Comunhão. Não leu as anteriores? Veja aqui: A dinâmica da generosidadeQuando uma frase muda a nossa vidaAlmoço de sábado na comunidade Sol Nascente, “Na casa das famílias assistidas é onde realmente colocamos o amor em ação” e O dia em que conheci a Rafaela.

Dizem que a gente chega até uma casa espírita pelo amor ou pela dor. Qual foi a sua experiência? Queremos que você nos conte como chegou ao voluntariado da Comunhão e qual o papel dele em sua vida.

Entre em contato diretamente com a voluntária Nicole Guimarães (nicole.guimaraesoc@gmail.com), que vai contar a sua história.

Siga ajudando

Muitas atividades assistenciais da Comunhão tiveram que interromper ou limitar seus trabalhos por conta do isolamento social. Essa situação, somada à interrupção das aulas e palestras, levou a Comunhão a uma situação crítica em relação à arrecadação de dinheiro e doações de gêneros de primeira necessidade.

Por isso, a Casa faz um apelo a todos os seus frequentadores: não interrompam as doações e contribuições. Para isso, existem duas formas de colaborar:

1 – Doe diretamente para a conta bancária do Banco do Brasil (Ag. 3599-8, conta 221.858-5) ou conta do BRB (Agência 0204 Conta 030.114-8). CNPJ: 00.307.447/0001-08;

2 – Compre livros através do delivery da Livraria Mário de Carvalho. Os pedidos podem ser feitos de segunda a sábado, das 13h às 18h, pelo telefone 3048-1818, ou pelo email   livraria@comunhaoespirita.com. Há uma lista de livros em promoção.

Caso tenha dúvidas, entre em contato pelo e-mail daf.comunhao@gmail.com.