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O poder da fé (artigo)

quarta-feira, março 17th, 2010 386 views

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Julio Capilé

(“Onde está a vossa fé?” Jesus. Lucas,8,25.)
Jesus naquela manhã acompanhou os discípulos mais chegados à Sua intimidade, os pescadores. Tomaram o barco e velejavam serenamente em busca de cardume para enriquecer a cozinha de cada um e, da sobra, atender aos clientes que lhes proporcionavam os parcos recursos para sua pobreza honesta. Aproveitando o balanço calmo do barco, o Mestre repousava na cabine aconchegante. Eis que de repente veio um vendaval que açoitava a vela da embarcação, fustigava as águas criando ondas gigantescas e preocupantes para os velejadores. João, o mais moço e sempre corajoso, acostumado a subir no alto do mastro quando necessitava desenroscar o cordame da vela, também ficou com medo. Embora todos acostumados aos revezes da sorte, desta vez temeram pela vida. E o Mestre dormia…
Correram a chamar Jesus: Mestre. Mestre, eis que soçobramos. Ele, tranquilamente, levantou as mãos para o lado donde vinha o vento e este, pouco a pouco se foi acalmando, as ondas serenaram e a normalidade voltou na embarcação. Os pescadores ficaram então a perguntar entre si: “Que homem é esse que manda na tempestade?”
O “Filho do Homem” então deu grande lição sobre a fé, com a pergunta exclamativa: “Onde está a vossa fé? Com isso Ele nos dá o ensinamento de que é nos momentos difíceis que devemos usar nossa fé que, segundo Ele, tem força, se verdadeira, até para transportar montanhas. Muitos exegetas costumam dizer que esse “transportar montes” não é de coisas físicas e sim de dificuldades da alma. Eu, porém, creio sinceramente, que a fé do tamanho da de Jesus, pode mover montanhas físicas mesmo, assim como acalmou a tempestade e realizou muitos “mistérios” como diziam os discípulos.
Todos os fenômenos da natureza são manipulados pelos espíritos com essa obrigação, especialistas e para isso, estão sempre a postos. Os ventos, as chuvas calmas ou torrenciais, a movimentação das placas tectônicas, as grandes ondas, os raios, etc. são controlados por exércitos de espíritos que alguns chamam de Espíritos da Natureza ou Elementais. Têm um comando. Os elementos não estão fora do controle deles. O fato é que há necessidade (eles sabem quais e quando) de hecatombes ocasionais para acomodação da Terra e lições para a humanidade. Esta, porém, vive descuidada das coisas do espírito e, de encarnação em encarnação, acumula resíduos a descartar. Vem a lição maior e estranha: “que mal fiz eu”? E morrem muitos ditos “inocentes”.
Vivemos descuidados da fé, não a cultivamos, por qualquer coisa mais “chamativa” descontrolamo-nos e ficamos a bradar por socorro dos céus, sem a devida calma que atesta a existência de fé viva. Assim como o centurião que pediu socorro para seu serviçal e disse a Jesus: não necessitas ir lá! Comando centúrias: eu digo a um faz isto e a outro faz aquilo e eles obedecem, assim também sei que podes dizer a um de teus comandados para realizar o que desejas à distância. E Jesus elogiou aquela fé do soldado e seu serviçal ficou curado.
“Seja o teu falar sim, sim ou não, não”. “Tudo o que Eu faço podeis fazer e muito mais”. São afirmativas d’Ele e, grande parte dos cristãos não acredita. Mas nós podemos, em tendo fé, realizar prodígios como Ele ou muito mais, segundo Sua palavra.

Publicado pelo Jornal O Progresso.



Paulo e a mediunidade (artigo)

quarta-feira, fevereiro 24th, 2010 339 views

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Julio Capilé*
Quando se estuda o Novo Testamento à luz do espiritismo a gente encontra jóias de orientação mediúnica dadas por Paulo. Suas cartas trazem ensinamentos de todo o tipo, mas sobre a mediunidade é muito claro. Em I Coríntios notamos com mais destaque no capítulo 14. Geralmente quando as pessoas vão falar sobre Paulo de Tarso e suas epístolas, pinçam uma frase ou outra, como nesse capítulo dos quais destacam o último versículo que é “importa que seja tudo feito decentemente e com ordem” para falar sobre a disciplina que deve haver no trato com os espíritos. Mas ele finaliza para lembrar que no trato com a mediunidade (que ele chama de profecia) deve-se ter muito cuidado. Na época apareciam muitos médiuns poliglotas como os 120 do Pentecoste que respondiam a qualquer língua as inquirições dos “turistas” e habitantes de Jerusalém. No Centro (que no caso era a igreja), porém, de nada adiantava receber espírito falando língua desconhecida de todos, pois a finalidade da comunicação é fazer-se entendido.
Interessante que ele explica pormenores de mediunidade, com outras palavras, mas dá para entender que o Cristianismo de então era como o espiritismo agora, simples, sem outra coisa além dos ensinamentos que receberam de Jesus e de seus apóstolos: tratar a todos com amor, ter cuidado com as comunicações, inclusive há um versículo de uma de suas mensagens que diz para terem cuidados e verificarem “se o espírito veio de Deus”. Hoje nós procuramos o mesmo cuidado quando uma mensagem se reveste de muita revelação de coisas desconhecidas ou de fatos que estão acontecendo ou que venham a acontecer. Kardec, da mesma forma, diz para termos esse cuidado e que é preferível recusar nove verdades a aceitarmos uma mentira.
Em Atos que é a descrição de Lucas dos fatos ocorridos nas viagens de Paulo, as manifestações mediúnicas são contadas como prodígios e revelações. Durante mais de 18 séculos os homens, por um motivo ou por outro, que não nos cabe julgar se justos ou não por desconhecermos as razões de cada época, bloquearam os ensinamentos, que permitiriam a todos, os conhecimentos que só agora são dados às pessoas comuns. Até o começo do século passado não era permitido às pessoas comuns lerem a Bíblia que era só o Velho Testamento e nem O Novo Testamento (Evangelho). Isto era coisa só para os sacerdotes. Os protestantes é que difundiram o conhecimento dos livros. Agora anexaram um ao outro. É a nova bíblia.
Com o advento de Kardec a espiritualidade superior como um grande farol iluminou a humanidade trazendo a compreensão dos dizeres dos primitivos cristãos. Deve ser o início da preparação para modificar espiritualmente a terra que deixará de ser um mundo de provas e expiações para ser de redenção. Ai será de um só rebanho e um só pastor. Não devemos desanimar. Embora existam prenúncios de que vivemos o tempo predito no apocalipse, provavelmente ainda nos será dado algum período para praticarmos melhores pensamentos, palavras e atitudes; e, como nos dizeres de João Batista, retificar as veredas do Senhor, de modo a permanecermos nesta terra tão boa. Se não, tenhamos fé de que iremos com vontade de trabalhar. A evolução continuará aqui ou alhures. Podemos manter a certeza de que um dia seremos anjos.

*Médico – julio.capile@apis.com.br



(Artigo) Aprenda a identificar um vampiro moderno

segunda-feira, abril 27th, 2009 265 views

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Por Eunice Ferrari

Fonte: www.euniceferrari.net

Segundo a lenda, um vampiro é um ser mitológico que vive nas trevas e se alimenta de sangue humano. Seres que saem de seus túmulos à noite para sugar o sangue dos vivos em seus pescoços e depois voltam alimentados, reenergizados e felizes para suas tumbas. Os vampiros mais famosos são Drácula de Bram Stoker, Lestat e Nosferatu. Esses são vampiros lendários que apareceram na literatura de muitos países da Europa, na mitologia da Suméria, Mesopotâmia e no antigo Oriente.
Na Teosofia e no Espiritismo aprendemos que vampiros são formas astrais, que podem ser os corpos de pessoas vivas ou que já morreram, que extraem força e vitalidade dos menos avisados.
No entanto, agora vou caminhar em um terreno quase assustador, ao menos intrigante, que é a mente perigosa de vampiros vivos, que estão entre nós, bem mais perto do que imaginamos. Eles são os chamados psicopatas.
A palavra psicopata significa “doença da mente” (do grego, psyche=mente e pathos=doença). Mas nos termos da psiquiatria, a psicopatia não é considerada uma doença mental, pois essas pessoas não apresentam nenhum sofrimento mental, nem sofrem de alucinações ou qualquer tipo de desorientação. Possuem sim, um raciocínio frio e calculista, unido à total falta de contato com qualquer emoção ou sentimento de compaixão ou generosidade. Em geral os psicopatas são frios, calculistas, manipuladores, controladores e mentem como ninguém, sem nenhuma culpa. Não vamos nos esquecer de sua principal habilidade que é a capacidade de seduzir. Algo familiar na descrição? Para quem não possui uma pessoa com essas características dentro do seu círculo de amizade ou familiar, basta acompanhar o desenvolvimento de Yvone, a personagem de Letícia Sabatella na novela da Globo Caminho das Índias. Ela manipulou Raul, interpretado por Alexandre Borges, a ponto de fazê-lo simular a própria morte.
São raras as pessoas que nunca caíram em armadilhas de um psicopata. O jogo principal dessas pessoas é arrancar do outro aquilo que necessitam no momento, atropelando tudo e todos com total indiferença, numa busca de poder e autopromoção. Os psicopatas sabem exatamente o que estão fazendo, têm total ciência de seus atos e não sentem nenhum remorso por qualquer um deles. Estamos acostumados aos psicopatas que Hollywood nos traz como criminosos ou assassinos em série. Mas tudo depende do grau de psicopatia, pois existe a baixa, a moderada e a grave. E assim como os vampiros dos filmes que estamos acostumados a ver nas telas de cinema, os psicopatas estão sempre de olho em sua próxima vítima que normalmente são pessoas generosas, compassivas e ingênuas.
Os psicopatas são os vampiros modernos de nossa sociedade que a cada dia que passa perde um pouco mais de seus valores éticos e morais. Uma sociedade onde a vida e a violência são diariamente banalizadas, onde a imagem social e o status medem a importância de cada ser humano. Uma sociedade criadora, por um lado, de psicopatas e por outro de pessoas de boa índole, assustadas e cada vez mais fechadas por não saberem em quem confiar. Afinal, em quem podemos confiar? Infelizmente não existe uma regra básica que nos responda essa questão. A única coisa que devemos ter em mente é que existem pessoas más, que a maldade é uma realidade entre nós.
Há uma boa notícia, a maioria de nós não apresenta sinais de psicopatia. No entanto, existe uma cultura que se desenvolve e se fortalece todos os dias que é o culto à “esperteza”, que pode levar os mais fracos a uma atitude de frieza e descaso com os sentimentos alheios. Vale refletir sobre nossas atitudes, as atitudes de nossos filhos e ficarmos de olhos bem abertos. O mal não pode e não deve ser banalizado, pois isso permite e dá livre acesso à ação de espíritos humanos desprovidos de compaixão e ética humana. Vale, mais uma vez, nos unirmos a energias superiores para o trabalho de expansão de nossas mentes e consciência, pois certamente por meio dessa atitude aprenderemos e desenvolveremos cada vez mais o amor, a compassividade e a solidariedade. E o principal, reaprenderemos a nos dar, a confiar e a amar.




O espiritismo e a nossa consciência

quinta-feira, outubro 9th, 2008 228 views

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Por Hugo Alvarenga Novaes

Uma das principais características do Espiritismo é, como disse Jesus, “a cada um será dado segundo suas obras” (Mateus 16, 27), fato confirmado por Paulo, que falou: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” (II Coríntios 5,10).
Estes versículos bíblicos, Mateus 16,27, e II Coríntios 5,10, ficam gravados na consciência dos verdadeiros espíritas, pois eles sabem que os efeitos de seus atos serão o que lhes acontecer amanhã. Em outras palavras: colherão os frutos do plantio atual, ou seja, estão certos de que “toda causa tem sua conseqüência”, conhecem a lei de “Ação e Reação.” Assim, os atos que alguns profitentes da Doutrina Espírita executam são mais bem pensados, pois os seus adeptos sabem que seu plantio de hoje será sua colheita futura. Outra coisa, as boas obras que praticarem (que no fundo beneficiarão a eles mesmos) não invalida de forma alguma os malfeitos que porventura realizarem.

 

A íntegra do artigo pode ser acessada em:

http://www.oclarim.com.br