Divado Franco: Carnaval

sexta-feira, fevereiro 24th, 2017 479 views

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Carnaval

Artigo de Divaldo Franco, publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 12-02-2015

São muito discutidas as origens do Carnaval. Para alguns historiadores, foram os gregos que o iniciaram por volta dos séculos sétimo e sexto a.C, como sendo a maneira de expressar-se gratidão aos deuses pelas colheitas pródigas. Outros informam que é um renascimento das saturnais, que eram celebradas em Roma, em dezembro… Por fim, existem aqueles que afirmam que foi criação da Igreja Católica por volta de 590 a.C. e tornada oficial a partir do século XI, quarenta dias antes da Quaresma…

Por sua vez, a palavra deriva-se de Carnis valles (prazeres da carne) ou ainda, segundo uma tradição, é o resultado do adágio Carne nada vale, formada pela primeira sílaba de cada palavra.

O carnaval, porém, conforme o conhecemos hoje, ter-se-ia originado na sociedade vitoriana, especialmente em Paris, donde se transferiu para muitos países, chegando ao Brasil-império através das grotescas atitudes do entrudo, com adoção de hábitos e costumes locais.

Sendo uma festa popular, hoje manipulada pela mídia e objetivando resultados econômicos pelo número de empregos que proporciona, apresenta-se com uma face distorcida e perversa. Em razão dos conflitos que dominam a sociedade, torna-se um momento muito especial para o deboche, a degradação moral, a perversão sexual, a usança de drogas ilícitas e os crimes mais diversos.

A festa é tumultuada, excitante, pelos quadros da nudez e do erotismo, das facilidades para as perversões, já que a “carne nada vale”, vindo os seus lastimáveis resultados pouco depois: gravidez indesejada terminando em abortos, enfermidades sexualmente transmissíveis, transtornos de conduta emocional, frustrações profundas.

Não é o carnaval, em si mesmo, um fator de degeneração moral, social e espiritual, mas a oportunidade que faculta aos atormentados para exporem as suas feridas morais. Aproveita-te desses dias para renovar-te espiritualmente, para que possas espairecer e descansar, porque a carne vale muito no teu processo de evolução.

DIVALDO P. FRANCO

 



De graça

quarta-feira, setembro 25th, 2013 157 views

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Por Julio Capilé

Jesus recomendou aos discípulos que fossem, dois a dois, pregar a Boa Nova, curar os enfermos, expulsar os demônios e que tudo o que recebessem de graça, de graça transmitissem.

Pensemos sobre a lição: por que dois a dois? – É porque o médium sozinho pode encontrar espíritos de difícil trato e ferrenho na perseguição. Um médium apoia o outro quando este estiver dando passe para retirar o “demônio” que, em muitos casos, não passa de um espírito sofredor e que está ali junto àquela pessoa, como alguém que na canícula encontra uma árvore e nela encosta para receber o abrigo da sombra. Também, em muitos casos existe a necessidade de transferir o espírito para um dos médiuns que no caso, já educado ou “desenvolvido”, poderá esclarecê-lo e encaminhá-lo a um local de tratamento e repouso..

Pela recomendação do Mestre recebemos a lição de que muitos “enfermos” estão sofrendo pela ação de espírito malévolo que são os demônios citados no Evangelho.

Para debelar doença física, existem os médiuns ditos de cura, que têm esse dom, coisa conhecida do povo como benzedor e que com a mediunidade de efeitos físicos, transformam a matéria, desmaterializam tumores, redimensionam a energia e fluidificam o líquido orgânico que está em torno de setenta por cento do peso corporal. A doença é “retirada”. O espírito visitante não é expulso. Sai por vontade própria depois de compreender sua situação. Muitos nem sabem que “já morreram”.

Tudo que fizermos nesse sentido deve ser de graça. Nós, no rigorismo doutrinário, se não for em casa de amigos, não aceitamos nem um cafezinho.

Hoje existem Centros e Grupos Espíritas em toda parte o que facilita ao sofredor. É só ir ou ser levado a uma dessas casas de oração que será atendido.

Mas ainda existem falhas no modo de alguns espíritas. Alguns ficam “cheios de dedos”, isto é, têm receio de espíritos que aparecem extemporaneamente em sua casa. Ainda existem “espíritas” que guardam o ranço de amparar-se no “sacerdote” para falar com o “demônio”. No caso, chamam os “entendidos” do Centro. No entanto, é tão simples: é uma visita. Quem nos visita, quer conversar. Conversem com o espírito! Pode até ser um ente querido que está a pedir socorro. E seja quem seja merece nossa hospitalidade. “Conversando se entende”, diz o refrão. E todo espírita deve praticar essa caridade recomendada por Jesus. Nada a temer!

Membro-fundador da Comunhão

julio.capile@apis.com.br



Estendamos a mão (artigo)

sexta-feira, setembro 17th, 2010 241 views

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Julio Capilé*

“Não basta falar. Temos que agir. Muitos discípulos do Evangelho cultivam belas frases para transmitir ensinamentos aprendidos durante a vida de estudos e observações, mas nas ocasiões necessárias em benefício de um irmão, tornam-se insensíveis e não se prontificam em estender a mão para levantá-lo. Palavras de encorajamento muito ajudam na compreensão da Justiça Divina, mas se não fizermos como Jesus que coroava Suas palavras com a resolução do problema, estaremos deixando de mostrar que o verdadeiro cristão, dentro de suas possibilidades, deve levantar o caído resolvendo seus problemas. Quando Pedro, conforme relato em Atos dos Apóstolos estendeu a mão a Dorcas restituindo-lhe vida, deu-lhe novas oportunidades de trabalho. Era uma dedicada servidora. Quem lhe batesse às portas da caridade, receberia sempre as benesses costumeiras de sua bondade. Mas há ocasiões em que se pode deparar com desconhecidos estendidos na sarjeta da vida, para os quais a mão estendida pode ser um despertar para o entendimento dos ensinamentos de Cristo”.
A íntegra do artigo de Julio Capilé pode ser lida no Blog Comunicação:

O Mestre, por seus atos e palavras, nos ensinou a comiseração. Ele não só dava as lições verbais, como também resolvia o problema do necessitado. Ter dó de um sofredor de nada vale se não minorarmos seu padecer. A comiseração não é fácil de praticar, pois requer tempo e atenção em alguns casos, mas deve-se fazer todo o empenho, para de alguma forma, auxiliar naquela situação em que se encontra o carente. Há muitos casos de exploração da caridade, mas conhecemos o ensinamento de “ajudar sem olhar a quem” e, deve-se deixar por conta da consciência de quem explora a bondade alheia. Deve-se confiar na Justiça de Mais Alto. Quem explora será explorado. O cristão não deve julgar. Não deve pensar mal de ninguém. Portanto ao socorrer o sofredor deve fazê-lo com a alma limpa, desarmada e feliz por ser, de alguma sorte, “servidor de todos”, para um dia chegar a ser “o maior”, conforme orientação de Jesus. São ensinamentos que se deve ter entranhados na consciência de modo a constituir até em atos reflexos: fazer o bem sem nem perceber e esquecer o que fez. Isto dá uma tranqüilidade muito grande, pois se ficar-se a remoer a desconfiança de que foi explorado, de nada adiantou sua “caridade”. Esta, no dizer de Paulo, “é benigna, não julga mal…”
Quando se faz uma doação, quando se presta socorro a alguém, quando se pratica um ato de grandeza moral, enfim, quando se faz o bem, não se “deve tocar trombetas”. E isto vale até com relação à própria consciência. Esquece. É natural praticar. A recordação funciona como uma cobrança. E o Mestre nos ensina que não se deve esperar recompensa. Esta ficou, indelevelmente, gravada na alma e a acompanha com a alegria de viver e bem estar interior. Portanto estendamos a mão ao caído, como um hábito natural. Todas as coisas ficam grafadas no infinito que nos brindará com o retorno da mesma natureza e intensidade. Assim funciona a Justiça Divina com as encarnações sucessivas.



Autolibertação

quinta-feira, agosto 12th, 2010 149 views

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Todos nós somos prisioneiros de alguém ou de alguma coisa. A autolibertação é muito difícil. Senão vejamos: nascemos completamente dependentes e sós. Carentes de cuidados e carinhos de mãe, pai e família em geral. Passamos infância, adolescência e juventude sob a orientação dos mais velhos. Depois de adulto ficamos independentes? Não. Somos escravos, além das obrigações naturais, também dos erros do passado, dos vícios, das paixões, aquisições defeituosas que nos acompanham há milênios. No final da existência iremos para o plano espiritual, dentro da faixa de nossa sintonia, na solidão. Embora desencarnemos numa catástrofe onde há morte coletiva, nossa tragédia é solitária, é única. Cada um dos partícipes está sozinho com seus problemas.
No plano espiritual continuamos jungidos aos sofrimentos causados pelo medo, pelo sentimento de culpa, pela angústia de ter deixado por fazer algo importante, pela saudade, pela autopiedade, enfim, por uma infinidade de pensamentos entrechocando-se que constituem um verdadeiro martírio.
Cada encarnação é um conjunto de etapas a vencermos. Cada ato é um aprendizado. Aprendemos a andar, a nos coçar, a chorar quando necessário, a desviar de obstáculos e, pouco a pouco vamos ficando mais conhecedores do que nos cerca. Do ponto de vista filosófico, não há erro. Acertos e erros são tentativas de realizar algo. Fazem parte da luta evolutiva. E, penso, só se torna liberto o espírito que consegue viver sozinho. Tenho a impressão de que, depois de certa evolução, o espírito, encarnado ou desencarnado, tem capacidade de decidir o que fazer sem consultar ninguém, apenas ao acatar e seguir o que determina a Lei Divina.
Não sei se aqueles anacoretas que passam a vida em grutas nos alcantilados do Himalaia e não sentem solidão, são espíritos de tal forma evoluídos que fazem seus serviços em favor da humanidade com o desprendimento (ou desdobramento) do espírito. Um meu amigo que conhece o trabalho dos monges disse-me que sim e que eles estão encarnados para exemplificar a autolibertação. qui lo sá? No entanto eles são dependentes dos aprendizes para lhes levarem alimento.
Vê-se, portanto que autolibertação não é fácil. Mas aos poucos nos vamos libertando das coisas mais elementares e, de aprendizado em aprendizado, podemos relativar tudo o que nos cerca, valorizando as verdadeiras aquisições que são luzes espirituais. Analisemos: somos de fato muito pequeninos. Se nos conscientizarmos disso estaremos dando os primeiros passos na estrada evolutiva verdadeira. Precisamos nos conhecer, para avaliar a pequenina figura que somos ante a grandiosidade do Universo e, ainda mais, a de seu Criador. Seguindo, persistentemente, os ensinos de Jesus, lentamente, mas muito lentamente, vamos ganhando autonomia e, dessa maneira nos tornaremos mais leves e conseguiremos vôos mais altos, humildade e padrão de pensamentos mais estável e, conforme já sabemos um dia seremos anjos. Teremos assim a autolibertação? É possível que não. Creio que, à proporção que formos evoluindo, o sentimento de amor se expande de tal forma que continuaremos prisioneiros dos entes queridos que ficaram à retaguarda, e, no fim, toda a humanidade. Seremos escravos da compaixão. E isso até ao infinito. Portanto, a cooperação universal será nosso destino.



Religião e saúde (artigo)

sexta-feira, julho 9th, 2010 146 views

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Julio Capilé

A ciência da saúde que cuidava só da parte orgânica, de uns tempos para cá vem mudando conceitos, compreendendo que os pacientes religiosos têm recuperação mais rápida e, no caso de não haver cura para seu mal, aceitam o fato com melhor entendimento e, assim, sofrem menos que os materialistas ou agnósticos. Os médicos organicistas têm poucos recursos para confortar os portadores de doenças graves e duradouras. Atualmente a ciência já aceita e até preceitua o uso da prece como auxiliar importante. São raros os que pensam ao contrário.
Sendo a prece um meio psicológico e espiritual para a manutenção da saúde, deve-se saber como usá-la. Jesus ensinou que de nada adianta as longas orações sem o sentimento e as obras. A prece nos deve ligar com o Criador. Fórmulas decoradas passam a ser pronunciadas automaticamente sem nenhum sentimento e sem unção. Nenhum valor, ou quase, resulta para a paz interior. Sempre fica o sofrimento sem o consolo desejado e a entrega do resultado à vontade de Deus. E de nada adianta a pessoa ser religiosa, fazer preces e não vivenciar aquilo que pensa ou que diz. Mesmo pessoas “doutas” em fazer pregações e dar conselhos espirituais se não viverem de acordo com seus pensamentos é “como o sino que ressoa” no dizer Paulino.
Existem os religiosos de fim de semana ou de outro dia programado, mas sua vida em nada demonstra sua religiosidade. Penso que, em sendo religioso, deve estar sempre religado com Deus, com Jesus ou com os Espíritos Bondosos, ou, para os de outras denominações religiosas, com os Santos, com Anjos ou com Avatares. A vida de um religioso deve ser uma prece constante, de tal forma, que não haja tempo para pensamentos vadios, maledicências, ódio, mágoa, rancor, imoralidades e amoralidades em geral. Dirão: mas isso é ser santo! Mas não. Com treinamento nós iremos aos poucos conseguindo eliminar os defeitos que estão a tisnar, por séculos ou milênios, nosso inconsciente, ou seja, o perispírito. É interessante notar o quanto evoluem determinados espíritos, quando fazemos pesquisas paralelas à terapia de vidas passadas. Uns dão um salto grandioso rumo à perfeição e outros permanecem quase no mesmo estágio. Disso se deduz que depende do esforço que cada um faz em prol de sua saúde verdadeira, isto é, bem estar orgânico, mental, psicológico e espiritual. E isso se consegue ao fazermos de nossa vida uma prece.
“Porfiai por entrar pela porta estreita, pois espaçosa é a porta que leva à perdição”. Jesus nos ensinou isso, mas a grande maioria prefere aquela fácil ao viver a vida descuidada com o progresso espiritual. Mesmo muitos religiosos vivem a dormir e a gozar a vida sem utilizar as horas em que podem dedicar para meditações a fim de descobrir os vícios e defeitos que podem ser eliminados e, assim, preparar futuras reencarnações mais amenas e criar maior facilidade na subida da eternidade rumo à perfeição. A esta nós nunca chegaremos, mas alcançaremos elevados graus de pureza e de luz espiritual. Se algum dia seremos anjos, inexoravelmente, que nos esforcemos para esse desiderato. Um pouco de esforço em cada encarnação, não custa nada.



A esmola (artigo)

sexta-feira, março 26th, 2010 238 views

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Julio Capilé

“Dai antes esmola do que tiverdes.” (Lucas, 11:41.)

Quando Lucas registrou essa expressão de Jesus, os ouvintes pensavam e, ainda hoje muitos pensam que é aquela esmola constituída de uma moeda lançada, com indiferença, na caixinha do mendigo. No entanto a frase diz “do que tiverdes” e não “do que detendes”. Isto significa que não é a esmola física que devemos dar como seguidores do Cristo. Esta que constitui o que possuímos em finanças é sempre uma dádiva de Deus que depõe em nossas mãos para ensaiarmos a administração da vida e crescermos em trabalhos que a moeda proporciona. Aquela, “do que tivermos” são as virtudes que emolduram o espírito que somos. Há no Evangelho o caso da viúva que deu a única moeda que possuía. Mas neste caso Ele se refere ao desprendimento como a moeda do coração. Se dermos uma esmola indiferente à vida de quem recebe, de nada vale como caridade, pois esta é revestida de muitas virtudes..
A compreensão das necessidades espirituais que o pedinte tem é muito importante. Raras vezes temos a oportunidade de parar para trocar algumas palavras, mas um sorriso de incentivo e compreensão; às vezes apenas um bom dia acompanhado de palavra encorajadora, de um gesto amigo e compreensivo, são pequeninas coisas muito importantes para quem está tão “por baixo!”
Existem almas valorosas suportando, além da pobreza, outros sofrimentos atrozes junto aos seus, como filha inválida, esposa doente. Ele, coitado, tem as pernas com paralisia espástica, um braço semi-paralisado por um AVC. Conheço um assim. Está sempre sorrindo em sua cadeira de rodas (que lhe é uma bênção) e, no regaço, conduz sacos vazios que vende. Tem sempre uma palavra alegre ou uma risada quando a gente dele se aproxima. Conta anedotas e não se queixa. Psicologicamente é normal. Seu exemplo constitui um incentivo para pessoas deprimidas às quais nada falta.
Esmola, para ser caridade, tem que ser acompanhada da parte espiritual: uma palavra amiga, um interesse sobre a família, e, para ser completa, se possível, praticarmos a comiseração que é a piedade acompanhada da resolução dos problemas. Alguns são insolúveis por serem cármicos, mas, pelo menos a gente deve demonstrar algum esforço nesse sentido.
O que é que temos de fato? – São as virtudes acumuladas em várias encarnações e nas lutas intermediarias quando no plano espiritual. Além das virtudes, também o conhecimento que aliado a elas constitui a sabedoria. Essa é a nossa riqueza. O dinheiro e todos os bens terrenos são empréstimo de Deus que é o Dono de tudo no universo. São nossos os bens que adquirimos com o esforço íntimo: o sentimento, as emoções, as reações que provocamos ao próximo, benignidade, tolerância, compreensão, perdão, enfim, o amor incondicional. Quando pensamos mal de alguém, quando temos alguma mágoa, quando desejamos mal ao próximo, quando não compreendemos os atos infelizes do semelhante, quando não perdoamos aos outros e a nós mesmos, enfim, quando nos sintonizamos com faixas vibratórias inferiores, de nada vale dar muita coisa material, porque aí, deixamos longe a caridade. Quando ajudamos com bens materiais nas hecatombes, nos sofrimentos coletivos, não estamos praticando a caridade. Estamos sendo solidários. É esmola do que não é nosso; é do empréstimo de Deus. Convido à meditação: pesquisemos nosso íntimo para ver qual nossa situação ante a frase de Jesus