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Nos planos espirituais

quinta-feira, agosto 28th, 2008 490 views

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 Julio Capilé

(Publicado pelo Jornal o Progresso, em 27 de agosto, de 2008)


Quando ainda não era conhecido o Espiritismo, de posse dos ensinamentos das religiões conhecidas no Mundo Ocidental, a gente pensava que depois de morta a pessoa seguiria para o Céu ou para o Inferno. Com o advento da Doutrina de Kardec ficou-se sabendo que o espírito desprendido da matéria com o fenômeno da morte, ficaria na erraticidade. Essa erraticidade dava-nos a impressão de que a alma ficaria a esmo, sem rumo e sem destino, a não ser que fosse esclarecido em um centro espírita de onde os espíritos superiores encaminhariam para pouso de descanso e paz. Isso ficou mais ou menos obscuro até quando Chico Xavier passou a psicografar mensagens de André Luiz, iniciando pelo livro O Nosso Lar. Neste foram desvendados os mistérios que envolviam aquela palavra erraticidade. Ficamos sabendo que o espírito ao desencarnar segue para o local que suas vibrações o conduzirem.
Ficou-se sabendo que há uma variedade infinita de pousos para o espírito. Os cultivadores da maldade são atraídos pelas trevas; os medíocres para lugares mais ou mentos condizentes com seu pouco desenvolvimento; os bondosos encontram paz e trabalho edificante. Em cada país e, talvez, em cada etnia, existem locais apropriados para receberem os espíritos daquela nação, daquele dialeto, de modo a entenderem os espíritos do Bem que desejam auxiliar. Existem cidades bem desenvolvidas espiritualmente onde até a energia é de causa física fluídica. Há cidades atrasadas cujos habitantes ainda necessitam do alimento físico e sofrem por levarem consigo vícios quando na carne. Como as tendências são incontáveis, também o são os núcleos habitacionais do plano espiritual.
Em o Nosso Lar a gente conhece alguns locais situados mais ou menos sobre o estado do Rio e de Minas, mas da mesma forma existem em vários locais do Brasil e do mundo. O fato é que o Criador não desampara ninguém. Os que ficam à retaguarda terão sempre oportunidade de dar mais um passo rumo à evolução em encarnações vindouras. Os que aproveitaram a escola da Terra têm locais condizentes com sua delicadeza, amorosidade e, principalmente, pelos trabalhos no bem, executados durante a encarnação.
Conta-se um caso dito verídico que uma senhora, com doença incurável, perguntou, em uma junta médica, que tempo teria de vida. Que fossem francos. Disseram-lhe que lhe restavam três meses. Ela não se alterou. Continuou tranqüila e ao chegar em casa relatou o fato aos familiares, sem se alterar. – Disse: três meses são 120 dias. Se eu fizer uma boa ação cada dia, serão 120 boas ações. Esse será meu programa de vida. Com perseverança foi fazendo as boas ações, compreendendo todos, auxiliando tanto quanto podia, até com sacrifícios. Os dias foram passando e, como ela não pensava em si mesma, não percebeu que os 120 dias se escoaram. E fez por mais vinte e três anos. Sem nenhum sofrimento. Quem não é sofredor não se queixa. Não se queixando não atrai piedade. Não atraindo piedade não atrai espíritos sofredores e, distribuindo bom ânimo e alegria, mantém-se feliz. 

*Médico. Escreve às 4ªas feiras no O Progresso.
julio.capile@apis.com.br
*Médico. Escreve às 4ªas feiras no O Progresso.
julio.capile@apis.com.br



Médicos espíritas são contra o aborto de anencéfalos

quarta-feira, agosto 27th, 2008 235 views

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Fonte: www.stf.gov.br

A última parte da audiência pública que discute a possibilidade de aborto de fetos anencéfalos foi apresentada por duas médicas representantes da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME), Irvênia Luiza de Santis Prada e Marlene Rossi Severino Nobre.

A primeira a falar foi a doutora Irvênia, que estuda a evolução do cérebro humano. Ela fez uma apresentação técnica sobre o cérebro, de acordo com a neurociência, e explicou que, muito embora sejam utilizados vulgarmente como sinônimos, os termos cérebro e encéfalo não são sinônimos. Disse que o anencéfalo, a rigor, seria o indivíduo  com a cavidade craniana completamente oca,  mas não é isso o que acontece  realmente nos casos de anencefalia, pois  neles são preservadas, pelo menos, as partes mais profundas do encéfalo.

Ela trouxe a questão do porquê uma criança que sobrevive anencéfala tem dificuldade para se expressar cognitivamente. E explicou que o feto tem consciência, mas não pode se expressar porque lhe faltam os instrumentos neurais compatíveis com essa forma de manifestação.

Disse ainda que são opiniões equivocadas as que afirmam não haver possibilidade de vida do anencéfalo porque não há vida sem cérebro. “Essas opiniões não têm, metodologicamente, dentro do contexto da neurociência, nenhum embasamento. Pelo contrário, a neurociência vem demonstrar pelo seu conteúdo que o anencéfalo tem substrato neural para desempenho de funções vitais, o que contra-indica o aborto desse feto e contra-indica a disponibilização do anencéfalo recém-nascido para transplante de órgãos”.

Em seguida, falou a doutora Marlene Rossi, que usou a expressão “o acaso não explica a vida”. Para a especialista, não há direito da mulher quando se fala de um direito que se sobrepõe, que é o direito à vida. “A vida do anencéfalo sobrepuja todos os outros direitos, é um bem fundamental que lhe pertence”.

Debate

Depois da apresentação, o advogado autor da ADPF, Luís Roberto Barroso, questionou se as duas médicas concordam com a evidência médica que em 100% dos casos a anencefalia levam à morte, ou no útero ou minutos depois da vida.

A doutora Marlene respondeu que sim, mas voltou a afirmar que a vida do anencéfalo sobrepõe qualquer direito do ser já formado, no caso, a mãe.

Logo depois, foi a vez do subprocurador geral da República Mário Gisi questionar sobre o que chamou de incongruência na apresentação da médica que citou carta de um índio americano que defende a vida e a família, além de dizer que “o homem não tece o fio da vida, ele é apenas um fio. Tudo o que faz a teia ele faz a si mesmo”.

O subprocurador disse ser uma incongruência a citação do índio e o fato de que a cultura indígena não só autoriza a morte de anencéfalos, mas de todas as crianças que nascem com deficiência física.

Marlene Rossi disse que algumas comunidades indígenas ainda não evoluíram a ponto de conhecer o que a ciência propõe como vida.