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Artigo: Lidando com obsessores

19/08 | Editado por: Ana Cristina Sampaio Alves
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Tem-se percebido, salvo melhor juízo, que a temática referente à obsessão espiritual tem despertado o interesse de muitas pessoas, inclusive fora do meio espírita.

Considerando que os problemas decorrentes de obsessão espiritual não são fatos novos criados pelo Espiritismo, mas, ao contrário, sempre existiram, creio que esse interesse pelo tema tenha ocorrido como consequência da divulgação espírita, a partir, principalmente, das obras do Chico Xavier, bem como da propagação midiática da Doutrina Espírita nos últimos anos.

A ação obsessiva de um espírito desencarnado sobre outro encarnado não é especificidade dos espíritas. Por ser uma condição humana, atinge a todos, indistintamente,independente de crença, sexo, condição social ou aceitação do fato. Logo, é um tema que deve receber a atenção de todos, com vistas a solucionar a causa geradora ou, pelo menos, mitigar, momentaneamente, os efeitos, até que a causa seja efetivamente debelada.

Toda ação obsessiva representa uma condição inferior do obsessor. Espíritos esclarecidos, conscientes da nossa condição de aprendizes da prática do amor, conforme nos ensina a doutrina cristã, não se dão a essa prática. Assim, todo processo obsessivo é obra de espíritos maldosos, vingativos, invejosos ou, simplesmente, frívolos. Por consequência, todos ignorantes da lei de perdão e de amor.

Um dos instrumentos mais eficazes para lidarmos com a obsessão e seus efeitos, visando ao controle e à solução do processo, é aculturar-se sobre ao assunto. Conhecer o conceito, os métodos da ação obsessiva, o fator gerador, a gênese e a manutenção são ações importantes para ajudar na libertação da inquietação obsessiva. Conhecer é primordial para o obsidiado libertar-se do obsessor e para o obsessor libertar-se da ignorância que o mantém no processo obsessivo.

Não obstante, conhecer-se é imprescindível. A sugestão contida no portal do oráculo de Delfos, 350 a.C., mantem-se em vigor: Conhece-te a ti mesmo! Nesse sentido, lembremos Jesus quando nos sugeriu: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará!”.

Libertar-se do jugo obsessivo é trabalho de grande número dos espíritos encarnados;os chamados vivos. Como viajantes do tempo, arrastamos na esteira das nossas existências físicas, ao longo das múltiplas encarnações, as consequências das nossas escolhas atuais e pretéritas, representadas nos compromissos que assumimos uns com os outros, muitas vezes retratadas nos conflitos familiares, com grande carga emocional, com dores e decepções.

Os irmãos, desencarnados ou não, que nos acrisolam nas teias do processo obsessivo alimentam-se, principalmente, do medo consequente da nossa ignorância sobre o tema e navegam nas ondas das nossas crençase das nossas indecisões. A sugestão de Emmanuel para que nos amemos, mas que também nos instruamos, vem ao encontro da nossa necessidade de conhecimento. Isso nos fortalecerá contra a ignorância do bem que caracteriza os espíritos obsessores, encarnados e desencarnados.

O medo que porventura sentimos ao tratarmos desse assunto é consequência do nosso desconhecimento, da nossa ignorância. Na verdade, temos medo do desconhecido. Muitas vezes, por comodismo ou sectarismo religioso fugimos do assunto e preferimos conviver com o processo e seus efeitos, mesmo nos gerando desconforto, angústia e infelicidade.

Assim, a cada dia, estudar espiritismo torna-se uma condição de bem-estar e harmonia intra e interpessoal. Engana-se profundamente quem acessa o Espiritismo em busca de uma doutrina religiosa apenas. Quem assim age, esquece ou desconhece que Kardec conceituou a Doutrina Espírita como uma ciência de observação e uma filosofia com consequências religiosas. Como ciência de observação, compreende a auto-observação na busca de conhecer-se (Conhece-te a ti mesmo) e identificar o que precisa mudar para melhor em nós; como filosofia, define o conjunto de atitudes e comportamentos baseados na doutrina cristã que, se bem compreendidos e bem exercidos, favorece-nos a religiosidade que nos aproxima de Deus, no sentido da religação das criaturas com o Criador.

Todos somos aprendizes da vida, que sempre nos ensina o que precisamos saber para que nos tornemos pessoas melhores. Ser melhor significa viver e conviver na busca permanente do aprendizado que determina que nos amemos uns aos outros. Que cuidemos de nós, mas também uns dos outros na busca da consecução do bem para todos. Essa é a finalidade… o objetivo da vida na Terra.

Ensina-nos a Doutrina Espírita que a obsessão se dá de forma interpessoal de desencarnados para encarnados e vice-versa, bem como entre os encarnados (os vivos). Ocorre, ainda, por intermédio de terceiros, quando o obsessor, não conseguindo atingir diretamente o seu desafeto, o faz mediante o acesso a pessoa querida do indivíduo a quem se dirige a ação obsessiva.

A ação obsessiva se dá de forma mais patente e efetiva quando o obsidiado detém uma sensibilidade mediúnica mais elevada. A mediunidade facilita o acesso do desencarnado ao campo mental do médium. Essa condição, muitas vezes, explica os casos de obsessão indireta, mediante terceiros, como filhos, cônjuges etc.

Há de se perguntar por que os nossos protetores espirituais permitem tal fato. A Terra é um planeta onde encarnam espíritos com necessidades expiatórias, ou seja, que precisam experienciar as consequências de suas escolhas equivocadas, com vistas ao aprendizado e à mudança de comportamento. Não obstante,destina-se também a oferecer as provas que determinarão, ou não, que o aprendizado se deu.Assim, nossosmentores permitemesses enfrentamentos como oportunidades para a construção das experiências que formarão o conhecimento que nos libertará dos males da ignorância e da falta de amor, a partir da conscientização dos erros cometidos, da necessidade do perdão e, principalmente, da mudança interior (reforma íntima).

Quando Jesus nos sugeriu amar aos nossos inimigos, na verdade Ele sabia que aqueles a quem chamamos de inimigos são irmãos que trazemos do passado, como consequência dos nossos relacionamentos tumultuados e egoísticos. Assim, o obsessor do presente é sempre um companheiro do passado.

Muitas vezes, os processos ditos obsessivos são, na verdade, o nosso encontro com esses companheiros, que buscam o ressarcimento de nossas dívidas morais/emocionais para com eles. São irmãos a quem ofendemos e com os quais nos comprometemos em outras existências. Por benevolência divina, é-nos permitido o reencontro para que resgatemos essas dívidas, pela dedicação e zelo que lhes ofereçamos, reconstruindo os laços de fraternidade que deve nos unir.

Ou seja, a melhor – senão a única – forma de lidarmos com aqueles a quem chamamos de obsessores é: 1) alimentarmo-nos de todas as informações que possam nos trazer reflexões e conhecimento sobre a nossa realidade espiritual, da qual não podemos fugir, aceitemos isso ou não; 2) mergulhar em nossa intimidade consciente e inconsciente na busca de atitudes e comportamentos que contrariem a regra áurea dos relacionamentos, que nos manda fazer aos outros apenas o que gostaríamos que nos fosse feito e mudá-los; 3) exercitar a prática do perdão incondicional; e 4) convencer os nossos irmãos obsessores de que estamos imbuídos e conscientes da necessidade de autoaperfeiçoamento, mediante a prática diária do bem e do amor ao próximo – inclusive, e principalmente, a eles próprios.

Por Ricardo Honório, palestrante na Comunhão Espírita de Brasília

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