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Psicografias

Perandréa: a psicografia é instrumento de consolação

04/05 | Editado por: Ana Cristina Sampaio Alves
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O perito judiciário em Grafoscopia e Documentoscopia, Carlos Augusto Perandréa, dedicou sua vida a pesquisar cientificamente os escritos dos desencarnados e tornou-se referência no Brasil

Era julho de 1977. Carlos Augusto Perandréa, um dos maiores peritos brasileiros em Grafoscopia, ministrava um curso para funcionários do Banco do Brasil, em Brasília. Um dos participantes, Luiz Gonzaga da Silva, comentou sobre a existência de mensagens psicográficas, atribuídas aos espíritos de seus sobrinhos, Acylino Luiz Pereira Neto e Fausto Bailão Luiz Pereira, desencarnados em acidente de trânsito rodoviário, ocorrido em Anicuns (GO), um ano antes.

Naquele momento, descortinou-se um novo horizonte ao pesquisador, pois segundo ele, até então, “as atenções e os enfoques dos exames grafotécnicos, geralmente, direcionavam-se apenas para as qualidades dos traçados”. A comprovação científica da psicografia exigiu que o perito transcendesse o estudo dos traçados gráficos e expandisse sua análise, igualmente, aos conteúdos trazidos nas mensagens.

Despindo-se de suas convicções religiosas e do ceticismo, Perandréa debruçou-se durante 14 anos sobre a Doutrina Espírita, a qual desconhecia por completo. O resultado de seus estudos e de suas pesquisas foi relatado no livro “A psicografia à luz da Grafoscopia”, lançado em 1991. “Comecei, inicialmente, pelos livros fundamentais de Allan Kardec e me aprofundei nas obras psicografadas por Chico Xavier. Deparei-me com uma Doutrina, também Cristã, o Espiritismo, que de forma natural, suave e coerente explicou o, até então, para mim, inexplicável, como a questão relativa aos deficientes físicos de nascença”, exemplificou o perito.

Perandréa ressaltou que “muitos espíritas veem as mensagens psicografadas como um instrumento de consolação e, outros, como um auxílio ao melhor entendimento do que ocorre após a vida física. Aos pesquisadores, as psicografias proporcionam reflexões e aprendizados, abrindo um leque ideias que se desdobra em um universo de questões desafiadoras”.

Psicografia em processos judiciais
Perguntado se há resistência por parte do magistrado brasileiro em aceitar a psicografia como meio de prova documental em processos judiciais, Perandréa relatou que “os trabalhos dos grafotécnicos junto ao Judiciário, ordinariamente, dizem respeito a dois tipos de exames técnicos: de autenticidade e de autoria gráfica dos manuscritos questionados”. Afirmou, ainda, que essa é “uma questão bastante polêmica sob o ponto de vista jurídico, envolvendo os mais diversos trabalhos”.

O perito destacou não ter conhecimento de qualquer julgamento no qual tenha sido usado um laudo pericial voltado à comprovação da autenticidade ou à autoria gráfica de cartas psicografadas. Admitiu, porém, que cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier foram utilizadas como provas, não como laudos técnicos, em casos judiciais de homicídios. Perandréa enfatizou, ainda, que nesses casos não foram lavrados laudos de exames grafotécnicos. As cartas psicografadas foram apresentadas aos juízes e lidas diante do Tribunal do Júri.

Legado acadêmico
A pesquisa de Perandréa prossegue até hoje, com foco no conteúdo das mensagens, relatado em cinco livros, no prelo, cujos direitos autorais serão cedidos a entidades espíritas. Perito judiciário em Documentoscopia, nos últimos 51 anos o advogado foi recrutado por juízes para atuar em vários estados brasileiros. Atualmente, conta com a parceria do filho, Carlos Augusto Perandréa Júnior, à frente do Laboratório Perandréa Perícias, em Londrina, no Paraná.

Trechos das mensagens dos sobrinhos desencarnados de Luiz Gonzaga da Silva, psicografadas por Chico Xavier
“Creiam o Senhor e a Mamãe, que as nossas conversas sobre o assunto do espírito e as poucas leituras que pude desfrutar me valeram muito.(…) A vida não termina quando o corpo cai estragado ou inútil. (…)Penso que somos parecidos com as lagartas e borboletas.”
Em 10 de março de 1976, pelo Espírito de Acylino Luiz Pereira Neto.
“Mãezinha, é tão difícil escrever assim, por mãos de terceiras pessoas! Sou grato às mãos que me servem, às da terra e essas outras que me guiam os dedos para que faça minha letra mais depressa. (…) Por aí, a pessoa não faz ideia do que seja despojar-se alguém do corpo, assim às pressas. A reconstituição é vagarosa. Tudo é lento e sem pressa. Até reaprender a pensar e a falar é trabalho a que se deve submeter”.
Em 15 de maio de 1976, pelo Espírito de Fausto Bailão Luiz Pereira.

Por Daniel Ribeiro

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