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Capilé analisa a Casa Espírita

22/10 | Editado por: Josecler Moreira | Atualizado por: Sionei Leão
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Por Júlio Capilé

 

Organização e Métodos é um ramo da ciência administrativa necessário em todos os setores da vida. Uma casa espírita tendo de ser administrada, não prescindirá de seguir aquilo que esse ramo da ciência recomenda. A começar por usar a disciplina.

Um centro espírita é, inicialmente pequeno e fácil de administrar.  Só tem um grupo que faz tudo. Pessoas que se afinam entusiasmadas em realizar o melhor possível e assim por muito tempo. É um conjunto coeso e, como um feixe de varas, é forte nas orações, atendimento aos necessitados e em todas as obras em conjunto. Realiza maravilhas. Com o tempo e mesmo pelas obras apresentadas, vai crescendo. Tem que ser subdividido em grupos, depois em serviços, departamentos, quiçá em superintendências.

Começam os problemas, pois a maioria não se conhece. As pessoas vêm de iniciações diferentes, conservam hábitos diversos, já passaram por outros centros e, o que é comum, por outras crenças. Cada pessoa vive um universo aparte.

Casa que cresce muito fica com dezenas de grupos com diversas finalidades e dirigentes vários. É lógico todos serem selecionados. São respeitáveis, conhecedores da Doutrina, cônscios de seus deveres, mas cada um tem seu estilo de dirigir. De diferença em diferença, um que outro grupo acaba apartando-se do método inicial.

Segundo Paulo de Tarso, “importa que pratiqueis a sã Doutrina”, mas o ser humano tem a tendência em criar e inventar. Assim aconteceu com o Cristianismo. Inicialmente puro, foi pouco a pouco acrescentando hábitos oriundos dos hebreus e dos romanos, criou outros, atendeu interesses estranhos e deu nas pompas e circunstâncias que desde o século III são usadas.

O Império Romano durou por quê? – É porque tinha disciplina. A base da realização é disciplina. Chico disse que para ser médium é preciso ter três coisas: disciplina, disciplina e disciplina. Não disse “bom médium”. Disse médium.

Na Casa Espírita ocasionalmente há mudanças no comando. Lógico que essa mudança não afeta a base da Doutrina. Acontecem pequenos ajustes, principalmente em determinados grupos cujos membros trazem hábitos estranhos à doutrina: uns querem distribuir rosas “para manter a pessoa livre do mal”, outros criam sistemas de passes ruidosos ou falados, outros modificam a maneira de atender ao espírito necessitado. Um quer usar ramos de arruda e aconselhar banhos de sal grosso. Outros misturam rituais budistas. Tudo respeitável, mas que não é kardecismo. Essas pequenas arestas é que devem ser aparadas. Conversando com calma haverá entendimento. Conversa dentro da lógica, do conhecimento e do amor fraterno.  Há também o caso de algum dirigente achar que há exagero nas especificações da diretoria, mas o centro vive democraticamente. Ninguém é “dono” de grupo, embora o dirija por muito tempo. Devem ser feitas reuniões periódicas dos dirigentes, em a qual cada um pode expressar seu modo de dirigir e defender seus pontos de vistas. No Brasil falamos português, mas o carioca, o cuiabano, o cearense, o gaúcho bem como os das outras regiões, tem seu sotaque. Assim também os dirigentes de grupos. Cada um tem sua pequena variação que não afeta em nada a Doutrina. Essa variedade unida, é que faz a Doutrina forte. É só não botar penduricalhos que tudo funciona bem. Assim também a Direção da Casa harmoniza-se com todos.

Quando há uma tentativa de mudanças em um departamento, geralmente deve ser como método experimental no sentido de tentar melhorar. Se não der certo, muda. Mas para isso é preciso que cada um faça sua parte nesse sentido, pois se não houver disciplinada união, não se ganha nenhuma batalha. Quando estão todos com o mesmo propósito, sem mágoa, visando apenas o bem, vigiando-se internamente, vivendo os ensinamentos do Cristo, o conjunto fará um facho de luz visto à distância pelos espíritos. Luminescência tal que só permitirá entrada dos espíritos do mal se for acompanhada por seus protetores e com autorização da Direção Espiritual da Casa.   

 

*Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.

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