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Nosso Lar completa 48 anos

08/04 | Editado por: Ana Cristina Sampaio Alves
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Dona Walkíria, fundadora do abrigo Nosso Lar, fala em vídeo sobre o aniversário de 48 anos da instituição.

Assista no link abaixo:

https://www.facebook.com/watch/?v=130887505668439

O diferencial do Nosso Lar

O atendimento individualizado a cada criança, não só no aspecto material, mas principalmente no campo psicológico e emocional, é o que diferencia e garante o sucesso da instituição. “Nós trabalhamos também a autoestima dessas crianças. Nós damos a elas, por exemplo, um creme hidratante, um shampoo infantil, um brinquedo específico ou adaptado, um corte de cabelo. As pessoas acham que crianças de abrigo não precisam disso, mas são elas as que mais necessitam. Quando chega um visitante, um futuro pai ou mãe, eles encontram uma criança que está bem com ela mesma, pois foi criado o hábito do autocuidado. Isso tem um custo”, informa a presidente da instituição, Patrícia Braga.

Nosso Lar não dispõe de uma padaria ou marcenaria, pois nem todos querem ser padeiros ou marceneiros. “Percebemos o dom e a habilidade de cada um e investimos naquilo. Há os que fazem um curso de desenho, outro vai para a escolinha de futebol, outro vai fazer inglês. Respeitamos o que eles querem para a vida. Todos vão à escola desde os 4 anos, quando se inicia a pré-escola na rede pública. Estudam no Núcleo Bandeirante, que é próximo, pois assim podem fazer trabalhos em grupo, trazer os amigos ou visitá-los em suas casas, como qualquer criança normal”, relata.

Atendimento psicopedagógico

O Nosso Lar também cuida da saúde da criança em medida de proteção desde o momento em que chega. “Fazemos uma bateria de exames na rede pública. Exames específicos são muitas vezes realizados com parceiros, voluntários ou com nosso próprio dinheiro. São exames e testes com psicopedagogos e fonoaudiólogos para avaliar o comprometimento com a aprendizagem. Buscamos o atendimento global da criança”, afirma.

Duas psicólogas trabalham no abrigo, já que, ressalta Patrícia Braga, o abandono familiar será sempre uma marca na vida de quem o vivencia. “Você pode superar, mas isso fará sempre parte da sua história. É muito importante que a gente trabalhe isso na área das emoções, na aceitação da própria história e também na possibilidade de dar uma virada, construir uma família diferente. Às vezes eles falam: ‘Ah, a minha família nunca ligou pra mim’, mas dizemos: a sua família pode não ter ligado para você, mas você vai fazer uma família totalmente diferente e terá a família que sempre sonhou”.

Sucesso nas adoções e reintegrações

Patrícia Braga orgulha-se de dizer que a boa equipe técnica do Nosso Lar garante o sucesso nas adoções. Mas antes de elas acontecerem, muitas vezes é preciso esgotar as possibilidades de reintegração às famílias, e também nisso a instituição se destaca. “Fazemos reintegração familiar até para outros estados. Pagamos a passagem, a assistente social e às vezes a mãe cuidadora acompanha a criança para dar segurança nessa hora. Vamos em busca da família até o limite, pois é muito ruim a criança ir para a adoção e a família reivindicá-la. Por isso, esgotamos todas as possibilidades, mesmo que tenha um custo maior para nós”, explica.

Uma história bonita de adoção aconteceu com a Bruna (nome fictício). Ela foi adotada ainda menina no Nosso Lar. Hoje é advogada e voluntária na instituição. “Imagine nossa surpresa quando, na reunião semestral de candidatos a voluntários, ela se apresentou ao grupo como ex-moradora do Nosso Lar. Foi pura emoção”, relata Patrícia.

“Crianças adotadas na instituição combinam de se reencontrar em nossa festa junina. É uma alegria só. Muitas delas voltam aos domingos para brincar com os amigos que ficaram e para visitar suas cuidadoras. É tão bom quando conseguimos deixar lembranças boas na vida delas!”, afirma Braga.

Já os que não foram reintegrados ou adotados permanecem no Nosso Lar até os 18 anos. Também estes saem para o mundo adaptados e bem formados profissionalmente. Muitos retornam para auxiliar as crianças que ali residem. “Temos um cabeleireiro, um instrutor de squash, um que faz pequenos reparos, há os que fazem campanhas nas comunidades onde moram, ajudam na festa junina. É maravilhoso quando a criança que aqui morou retorna para ajudar o lugar onde cresceu”, finaliza Patrícia Braga.

Por Ana Cristina Sampaio
Revisão Silmara Sundfeld

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