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Live discutiu violência doméstica contra a mulher sob múltiplas abordagens

07/07 | Editado por: Nicole Guimarães | Atualizado por: Ana Cristina Sampaio Alves
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A violência doméstica contra as mulheres, suas causas e consequências e como combatê-la foi o assunto discutido na live transmitida no domingo (28/6), às 20h, pelo canal da Comunhão no YouTube. Com o tema DeFEMda-se – A mulher em isolamento, a abordagem foi feita sob as perspectivas espírita, psicológica e jurídica.

Conduzido pelas jornalistas Waleska Maux e Isabel Carvalho, o debate contou com a participação das psicólogas Paula Uchôa e Marianna Braga, e da promotora de Justiça Gabriela Starling.

O encontro trouxe reflexões sobre uma dura realidade: o aumento dos casos de violência contra a mulher durante o isolamento social. Em alguns estados, como no Rio de Janeiro, esse crescimento chegou a 50%. Em 2016, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil já registrava a quinta maior taxa de feminicídios no mundo: 4,8 para 100 mil mulheres.

Durante a live, as profissionais responderam às perguntas das jornalistas e dos internautas que acompanhavam a transmissão ao vivo: Quais as causas da violência doméstica? Como combatê-la? Por que tantas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos?

Responsabilidade coletiva 

A psicóloga Marianna Braga lembrou que a violência doméstica deve ser analisada no contexto histórico das sociedades patriarcais, nas quais o homem detém poder e privilégios, enquanto a mulher é tratada com inferioridade e é sujeita ao controle masculino.

“A reflexão não pode ser individualizada, pois a responsabilidade da violência contra a mulher é coletiva também”, observou Marianna. “Quando assumirmos nossos papeis, conseguiremos fazer mudanças estruturais, que irão proteger as mulheres e os homens igualmente, pois eles também tiveram uma educação rígida e limitada em questões de gênero e de expressão dos sentimentos”, destacou. “Essas limitações do homem se traduzem em opressão e em sofrimento para a mulher”.

Dependência e medo  

O medo e, em muitas situações, a dependência econômica são fatores que desencorajam as mulheres de denunciar os agressores.

De acordo com a psicóloga e trabalhadora espírita, Paula Uchôa, em muitas situações, a mulher também permanece na relação por acreditar que precisa “expiar” ou “resgatar” alguma situação mal resolvida em outras encarnações.  “Mas essa é uma visão equivocada.”

“Ninguém muda ninguém”

“Se a mulher está sofrendo, tem que pedir socorro mesmo. Amor não é para doer. Se está doendo, não é amor”, alertou Paula. Às vezes, a mulher fica na relação acreditando que o agressor vai mudar. “Ninguém consegue mudar ninguém. A mulher precisa olhar para dentro e perguntar: por que insisto nesse relacionamento? Em que ele está contribuindo para a minha vida?”

Essa reflexão é necessária, pois o agressor submete a mulher a vários tipos de violência: física, psicológica, sexual e patrimonial, esta última quando o agressor controla o dinheiro da mulher (mesmo que ele não trabalhe) e se apodera até mesmo dos documentos da vítima e dos filhos, para impedir que ela fuja ou que o denuncie.

Como se libertar

Para se libertar do relacionamento abusivo, a mulher precisa buscar apoio psicológico, psiquiátrico (quando necessário) e espiritual. Ter amigos de confiança para dividir o problema também é muito importante. Sob a ótica espiritual, Paula destacou a importância do perdão para que a mulher possa seguir a vida normalmente.

“Eu fui vítima de abuso sexual na infância. Hoje essa situação está muito bem resolvida dentro de mim, mas precisei trabalhar o perdão”, revelou Paula, enriquecendo a discussão com o próprio testemunho.

Políticas públicas 

Segundo a promotora Gabriela Starling, quando a mulher busca o Poder Judiciário é porque a situação chegou ao limite, com ameaças de morte ou mesmo tentativas de feminicídio. Apesar da gravidade, em cerca de 30% dos casos, as mulheres retomam o relacionamento abusivo e desistem de efetivar a denúncia.

“As autoridades precisam agir rapidamente para proteger as vítimas e impedir que elas desistam da denúncia”, alertou a promotora. Segundo ela, a violência contra a mulher precisa ser tratada sob a ótica dos direitos humanos e não apenas do ponto de vista criminal.

Campanha sinal vermelho

No dia 10 de junho deste ano, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançaram a campanha Sinal Vermelho para a Violência Doméstica. A ideia é mobilizar as redes de farmácia para ajudar as mulheres a dar o grito de socorro.

Paula explicou como funciona a campanha: a vítima desenha um “X” na mão (com batom, esmalte, tinta ou caneta de cor vermelha) e, ao entrar na farmácia, exibe o sinal para o atendente ou o farmacêutico. Nesse momento, o profissional aciona o número 180, da Central de Atendimento à Mulher. “A mulher não precisa falar nada. Ao ver o sinal na mão, o atendente ligará imediatamente para fazer a denúncia”, explicou Gabriela.

App Direitos Humanos Brasil

Além do Ligue 180, existem outros canais para denunciar violência contra a mulher: o Disque 100 (serviço de proteção aos Direitos Humanos), o 190 (da Polícia Militar) e o mais novo App Direitos Humanos Brasil, disponível para iPhones. A ferramenta gratuita é a nova plataforma digital do Disque 100 e do Ligue 180. No aplicativo, podem ser feitas denúncias anônimas sobre temas relacionados a direitos humanos e a família.

Clique aqui para assistir à live.

Texto: Arlinda Carvalho
Revisão: Luciana Matsunaga
Foto: CNJ

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