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Especial Mães da Villa Cristã: “O amor supera tudo”, diz mãe de filhos especiais   

21/05 | Editado por: Ana Cristina Sampaio Alves
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No lar da piauiense Benagilda Dias dos Santos, 47 anos, amor e união é o que não faltam. Ela e o marido Luiz Gonzaga vivem em harmonia. Com sete filhos, cultivam o cuidado e a alegria da convivência. Conversam, ajudam-se mutuamente e se divertem juntos. É nessa “fonte” em que Gilda encontra forças para superar as privações de ordem material, agravadas pela pandemia, e o desafio de educar dois filhos especiais e um casal de gêmeos.  

 Por intermédio da mãe, o próprio Deus vela por suas criaturas que nascem. A afirmação, que consta na obra “A Gênese” (capítulo 3, item 15), de Allan Kardec, cai como uma luva na história de vida desta mãe de sete filhos e um coração de gigante, onde o amor e a abnegação fizeram moradia fixa.

Aos 47 anos, a piauiense Benagilda Dias dos Santos conta com o apoio e o companheirismo do marido Luiz Gonzaga, 51. Juntos há 27 anos, eles formam uma família harmoniosa, construída com base no afeto e no cuidado mútuos. É um casamento bem-sucedido, ela garante.

 O romance dos dois – que são primos de primeiro grau – teve início com uma amizade, fortalecida pela troca periódica de cartas, que durou dos 12 aos 19 anos, quando ela se mudou definitivamente de São Raimundo Nonato (sua cidade natal) para Brasília. Segundo Gilda, como é carinhosamente chamada, a amizade com o primo não tinha “segundas intenções”, mas ele não desistiria fácil.

“Quando cheguei em Brasília, ele disse que gostava de mim e me pediu em namoro. Na primeira vez eu disse não, mas ele insistiu e três meses depois começamos a namorar”, conta. Em seguida ela ficou grávida de Anderson, o primeiro filho do casal, hoje com 27 anos. Depois vieram Andreza (26), Adriano (19), Adrielle (10), Maycon (12) e os gêmeos Luan e Luana (8).

Hoje todos moram em Águas Lindas de Goiás, cidade do entorno do Distrito Federal, a cerca de 50 km de Brasília. “Graças a Deus nossa família é muito unida, a gente se ajuda muito”, orgulha-se a piauiense, que não poupa elogios ao marido.

“Ele é muito presente, brincalhão e carinhoso comigo e com os filhos”, sustenta, para emendar, sorrindo: “Só é um pouquinho ciumento, mas nada exagerado”.

Filhos especiais: amor é o que não falta        

Se por um lado não faltam afeto e diálogo no lar de Gilda, outros desafios põem à prova a tranquilidade da família. Além da dificuldade financeira – agravada pelo desemprego do casal e pela pandemia –, os filhos Adrielle e Maycon exigem acompanhamento especializado.

A filha de 10 anos nasceu com microcefalia e apresenta dificuldade de aprendizagem, já diagnosticada. A garota já recebe um acompanhamento pedagógico na escola, mas segundo Gilda seriam necessárias outras atividades para estimular ainda mais a parte intelectual.

“É muito difícil educar filho especial”, desabafa. “A gente fica triste pela falta de condições”. O marido é ajudante de pedreiro e, por conta da pandemia, está desempregado. Ela deixou de trabalhar para ficar em tempo integral com Adrielle. “A situação é difícil, pois falta até alimento”, entristece-se.  “Mas amor não falta não”, ressalva.

Já Maycon, o filho de 12 anos, saber ler tudo, mas até hoje não distingue as letras. “Fora isso, ele tem muita facilidade para aprender, inventar e consertar coisas”, explica Gilda.

Gratidão: “Deus confia em mim”      

Tudo indica que Maycon, apesar de algumas limitações, apresenta habilidades especiais para determinadas áreas. “Ele faz altos desenhos e gosta muito de artesanato. Todos os dias ele faz uma coisa diferente aqui em casa. E também gosta de consertar coisas. Quando o ventilador quebra, ele conserta sozinho. É impressionante”, relata.

Na escola, as professoras já chamaram a atenção para a desenvoltura do filho. “Elas dizem que ele é muito inteligente e que deveria ia ir para outra escola para desenvolver mais”.

Apesar de ter passado por um neurologista na rede pública, Maycon nunca recebeu um diagnóstico clínico preciso. “Meu desejo é que ele receba o acompanhamento certo para poder desenvolver essas habilidades”, expressa, em tom de preocupação. Agora ela aguarda o fim da pandemia para buscar a ajuda necessária.

E como que confiando – incondicionalmente – na capacidade de amar dessa mãe abnegada, a vida a presenteou com dois filhos gêmeos: Luan e Luana, de 8 anos, os caçulas da família. “Primeiro levei um susto, depois fiquei muito feliz por saber que Deus confia em mim”, emociona-se.

O casal não tem netos. Dos três filhos adultos, a única que casou foi Andreza. Os outros dois moram com os pais, mas também estão desempregados. A família vive de aluguel e a única renda que recebe é o auxílio-doença do INSS, por conta do problema de Adrielle.

Doações: alívio para o “sufoco”

Ela diz contar com a solidariedade da Villa Cristã, onde frequenta as atividades doutrinárias e profissionalizantes. “A gente tá passando um sufoco danado e as doações das cestas de alimentos e dos kits de higiene da Villa durante a pandemia ajudam muito”.

Gilda afirma que sem fé não encontraria forças para superar as dificuldades. Por isso, valoriza as atividades oferecidas pela Villa, aos sábados, por meio das diretorias de Promoção Social (DPS), Infância e Juventude (DIJ) e Estudos Doutrinários (DED). Ela também frequenta os encontros realizados pela Associação Médico Espírita do Distrito Federal (AME-DF), no primeiro domingo do mês.

 “Eu tenho muita fé em Deus, e a Villa Cristã ensina a gente a ter bons pensamentos, a acreditar que as coisas vão melhorar”, diz. Os quatro filhos menores frequentam assiduamente a evangelização infantil. “É muito bom para eles, que são muito agitados; quando vão para a evangelização, voltam mais calmos, com a mente mais leve”, observa.

Cursos: bicos de pano de prato, toalhas e tapetes de barbante    

Outra atividade da Villa que Gilda diz gostar muito são os cursos profissionalizantes: “Eu me matriculei no curso de artesanato para aprender a fazer bicos de toalhas de mesa e de pano de prato e já comecei a aprender a fazer tapete de barbante”, anima-se. Os cursos e todas as atividades da Villa Cristã foram interrompidos devido à pandemia.

Ser mãe: ato de heroísmo 

Sobre a experiência de ser mãe, ela não economiza palavras: “Ser mãe é tudo de bom na minha vida. Sou muito feliz e grata a Deus por todos os meus filhos. As dificuldades não atrapalham a felicidade que é estar com os filhos. O amor supera tudo”.

Por Arlinda Carvalho.

Fotos: Arquivo pessoal

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