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Voluntariado: “Encontrávamos esperança e amor a cada visita, mesmo com todas as dificuldades”

08/05 | Editado por: Nicole Guimarães
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Mário Gordilho viveu muitos acontecimentos marcantes ao longo dos seus 4 anos de trabalho voluntário com as famílias assistidas pela Comunhão. A história com uma família vinda do interior da Bahia é inesquecível.

“Foi logo no início dos meus trabalhos como voluntário, em 2016. Eram dois filhos e um deles possuía doença rara que o fez perder todos os movimentos do corpo aos 15 anos, passando a ser totalmente dependente dos pais para sobreviver”.

Os pais, que tinham vida razoavelmente confortável no interior da Bahia, decidiram deixar tudo para trás e mudaram-se para Brasília em busca de melhores serviços de saúde para o filho. No início, viviam em moradia precária no Recanto das Emas. “Essa decisão já demostra a força do amor incondicional de um pai e uma mãe por seu filho. Pois bem, há muito mais”.

Pingo, como chamavam o rapaz, conseguiu ser atendido no Hospital da Criança e lá começaram a aparecer os anjos na sua vida. “Uma enfermeira, sensibilizada com a situação daquela família, ofereceu gratuitamente uma casa que tinha em Samambaia para eles morarem e conseguiu um emprego de motorista para o pai no hospital”, lembra Mário.

O primeiro passo estava dado. Logo depois, outro anjo apareceu. Dessa vez, um médico. Em seguida, o pedido de ajuda à Comunhão.

“Dada a urgência, a família logo começou a ser atendida pelo meu grupo. O que me impressionou muito nas primeiras visitas foi o amor que emanava daquela família, o nível de dedicação que aquelas pessoas simples, do interior, tinha com os filhos”.

Durante o tratamento de Pingo, o médico receitou um remédio com fabricação na França, raro, de um único fabricante mundial, e, por isso, bem caro. Cada frasco custava em torno de R$ 20 mil e a Secretaria de Saúde não o tinha em estoque.

“Com a ajuda do hospital e de uma associação de São Paulo, o pai procurou a Defensoria Pública do DF, que entrou com a ação solicitando o medicamento. Apesar do ganho da causa, a decisão judicial apenas determinou que o GDF depositasse o valor correspondente às caixas”, explica o voluntário.

Como o remédio era importado, havia custos para acondicionamento especial, logística, trâmites burocráticos de importação e despachante. Nesse meio tempo, Pingo começou a apresentar piora, com a doença afetando rins e fígado, e precisaria de transplante.

A reviravolta

Foi aí que o grupo de voluntários da Comunhão entrou em ação. “O medicamento era sua única chance de sobrevivência. Eu tomei a frente do processo de importação, entrando em contato com o despachante local e com o fabricante, na França. Em caso de qualquer rejeição no transplante, seria necessária a aplicação do medicamento”.

Após alguns meses, o medicamento chegou a Brasília e Pingo, alguns dias depois, recebeu a notícia de que haviam encontrado um doador compatível.

“É a espiritualidade em ação o tempo inteiro. Foi cronometrado, uma questão de dias após a chegada do medicamento, quando sabemos que, infelizmente, as filas de transplante em geral duram anos no Brasil”.

Pingo foi encaminhado para o Hospital das Forças Armadas e a cirurgia,  um sucesso. A recuperação foi ótima, e ele voltou a sair sozinho, estudar e ter vida normal dentro das possibilidades.

“Após uns 3 anos conosco, a família resolveu voltar para a Bahia, onde o pai do Pingo havia conseguido o emprego de volta. Uma alegria imensa para todo o grupo, uma sensação indescritível de dever cumprido, de lição recebida a cada mês que íamos à casa deles e encontrávamos esperança e amor, mesmo que com todas as dificuldades passadas”, compartilha Mário.

E não parou por aí: a história continuou acompanhando Gordilho. “Um ano após o ocorrido, contei essa história em uma sessão mediúnica na Comunhão e destaquei o acolhimento fraternal do médico e da enfermeira com Pingo. Ao final, um dos dirigentes se voltou a mim e disse: ‘Mário, esse médico sou eu’”.

O médico, trabalhador da Comunhão, deu todos os detalhes iniciais do tratamento e de tudo o que havia feito pelo rapaz e sua família. “Todos começaram a chorar na mesa. Um momento que guardarei por toda a minha vida”.

Um parênteses: o irmão de Pingo

Pingo tinha um irmão menor, de cerca de 10 anos, que o idolatrava. “Esse menino me fez chorar pela primeira vez no trabalho voluntário. Ele tinha o cabelo bem comprido. Um dia, brincando, falei que iria cortar o cabelo dele. Sua resposta: ‘Não, eu estou deixando crescer porque quero doá-lo para as crianças que fazem tratamento de câncer no hospital que trata tão bem o meu irmão’”.

Também queria ser bombeiro quando crescesse para ajudar outras pessoas. “Tais atitudes, vindas de uma criança de 10 anos, me comoveram profundamente. Uma lição de vida – a de que amor gera amor – ensinada por um menino de vida tão simples. Certamente, um espírito iluminado habita aquele corpo infantil”, conclui Mário emocionado.

Essa é mais uma história de voluntários da Comunhão. Não leu as anteriores? Veja aqui: “É como se algo dentro de mim se transformasse”A dinâmica da generosidadeQuando uma frase muda a nossa vidaAlmoço de sábado na comunidade Sol Nascente, “Na casa das famílias assistidas é onde realmente colocamos o amor em ação” e O dia em que conheci a Rafaela.

Quer inspirar outras pessoas? Conte também a sua história. Entre em contato diretamente com a voluntária Nicole Guimarães (nicole.guimaraesoc@gmail.com).

 

Siga ajudando

Existem três formas de colaborar:

1 – Doações podem ser entregues no Almoxarifado da Comunhão Espírita de Brasília, que funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; e aos sábados, das 9h às 15h;

2 – Doe diretamente para a conta bancária do BRB (Agência 0204 Conta 030.114-8) ou BB (Ag. 3599-8, conta 221.858-5) CNPJ: 00.307.447/0001-08;

3 – Compre livros através do delivery da Livraria Mário de Carvalho. Os pedidos podem ser feitos de segunda a sábado, das 13h às 18h, pelo telefone 3048-1818, ou pelo email livraria@comunhaoespirita.com.

Caso tenha dúvidas, entre em contato pelo e-mail daf.comunhao@gmail.com.

 

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