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Comunhão reúne 38 atendentes fraternos para trabalhar a distância mantendo sigilo e acolhimento

15/04 | Editado por: Ana Cristina Sampaio Alves
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A Comunhão Espírita acaba de inaugurar o serviço de atendimento fraterno virtual. São 38 atendentes que vão poder conversar com pessoas que estão com alguma dificuldade emocional neste momento de recolhimento devido à pandemia, utilizando aplicativo de comunicação por vídeo.

Quem anuncia o início do trabalho é Ruth Daia, vice-diretora de Atendimento e Orientação (DAO), coordenadora de grupos de autoajuda a dependentes químicos e familiares, além de  coordenadora do grupo Acolher. Atendente fraterna há 11 anos, ela relata que mesmo antes de a Comunhão ter que fechar as portas a equipe já se preocupava com a questão do vírus e de como  poderiam continuar atendendo as cerca de mil pessoas  que procuram o atendimento fraterno todo mês.

“São pessoas que chegam com ideação suicida, automutilação, depressão, entre tantas outras questões emocionais, que não poderiam ficar sem atendimento”, explica Ruth. Desta forma, o atendimento on-line foi viabilizado após a parceria com a diretora de Estudos Doutrinários, Luciana Couto, que trouxe a solução tecnológica ideal para garantir a segurança do atendimento em termos de sigilo, tanto para atendente como para atendido.

O atendimento fraterno a distância se destina a qualquer um que esteja se sentindo só e não tenha com quem conversar, mas também para os que, mesmo vivendo com familiares, sentem-se passando por dificuldades. “Podemos atender a qualquer um que esteja com problemas no recolhimento, que se sinta angustiado e com dificuldades emocionais”, diz Ruth Daia. Os 38 atendentes disponíveis não passaram por nenhum treinamento específico, já que todos já tinham uma certa experiência com a ferramenta virtual que será utilizada.

Ruth Daia salienta que todos os tratamentos recomendados presencialmente, como passes, palestras, leitura do Evangelho no Lar, água fluidificada, poderão ser feitos de casa, já que a Comunhão os oferece a distância.  “Contamos com  a assiduidade e o compromisso do atendido. Sabemos que a espiritualidade que está auxiliando na Comunhão estará na casa do atendido”, complementa.

Ela garante que o trabalho será mantido até quando o recolhimento for necessário. “Acredito que vai dar muito certo. Vamos atender qualquer pessoa, de qualquer país, desde que fale a mesma língua”. Sobre o atendimento on-line permanecer como um serviço destinado até mesmo a quem mora no exterior, ela informa que existe, sim, essa possibilidade. “Podemos fazer o atendimento fraterno em outros idiomas, pois temos atendentes fluentes em outras línguas. É um planejamento para o futuro. Agora, é emergencial, apesar de garantirmos toda a segurança do sigilo”, conclui.

A preparação do atendimento virtual: garantia de carinho e acolhimento  

Herbert Bruggemann é um dos 38 atendentes fraternos virtuais. Iniciou a atividade em 2017 e, desde 2018, atende especificamente casos complexos e de perdas severas.

O que o fez aceitar o trabalho a distância foi compreender que, neste momento, mais do que nunca, as aflições, dores e dúvidas podem aflorar com maior intensidade.  Segundo Herbert, toda mudança requer sair da zona de conforto e o maior desafio do atendimento on-line pode ser conseguir transmitir acolhimento e vontade de ajudar. “Talvez não consigamos perceber em profundidade o problema apresentado, no sentido de levar à pessoa todo o carinho, conforto e cuidado que merece. Mas creio que isso somente ocorrerá no início e logo  será superado. Outro desafio poderá ser o uso da ferramenta”, avalia.

Herbert explica quais cuidados são necessários para o atendimento: preparação com antecedência mínima de 30 minutos de um provável atendimento, lembrando da formação do campo de benção em conjunto com a espiritualidade amiga que auxilia;  vestimenta adequada para o momento, apesar de se estar em casa; preparação do local de modo que esteja o mais simples e agradável possível, como em uma cabine de atendimento; evitar que apareçam na tela imagens, cartazes, objetos, ou sons, músicas, que eventualmente possam interferir no bom atendimento; e, caso haja sons na casa do atendido que prejudiquem o atendimento, pedir com delicadeza a interrupção dessa situação. “Tudo para que o atendimento aconteça com toda a harmonia e serenidade necessárias”, afirma.

Herbert enfatiza a questão da confidencialidade do diálogo, que é sempre observada. Outro cuidado essencial, segundo ele, é o não envolvimento pessoal do atendente com o atendido, como,  por exemplo, um contato posterior que não seja com a intermediação da Comunhão Espírita.

Para o atendente, a distância onde se encontra o atendido não fará diferença alguma, porque a ferramenta tecnológica elimina esse obstáculo. “Acreditamos que esse modelo ensejará a abertura de uma nova porta para a realização dos atendimentos fraternos individuais. E dizemos mais: será posteriormente um exigência daqueles que não podem estar presencialmente na Comunhão. Como aprendizado, será de grande valor, com certeza”, destaca.

Ele parabeniza a Comunhão pela iniciativa e acredita que dificuldades e situações inéditas que surgirem serão objeto de aprimoramento desse novo modo de Atendimento Fraterno Individual. “Vamos atender virtualmente com o mesmo carinho e acolhimento que dedicamos nos atendimentos presenciais. Essa é a chave”, garante.

Por Ana Cristina Sampaio

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