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A esmola (artigo)

26/03 | Editado por: Sionei Leão
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Julio Capilé

“Dai antes esmola do que tiverdes.” (Lucas, 11:41.)

Quando Lucas registrou essa expressão de Jesus, os ouvintes pensavam e, ainda hoje muitos pensam que é aquela esmola constituída de uma moeda lançada, com indiferença, na caixinha do mendigo. No entanto a frase diz “do que tiverdes” e não “do que detendes”. Isto significa que não é a esmola física que devemos dar como seguidores do Cristo. Esta que constitui o que possuímos em finanças é sempre uma dádiva de Deus que depõe em nossas mãos para ensaiarmos a administração da vida e crescermos em trabalhos que a moeda proporciona. Aquela, “do que tivermos” são as virtudes que emolduram o espírito que somos. Há no Evangelho o caso da viúva que deu a única moeda que possuía. Mas neste caso Ele se refere ao desprendimento como a moeda do coração. Se dermos uma esmola indiferente à vida de quem recebe, de nada vale como caridade, pois esta é revestida de muitas virtudes..
A compreensão das necessidades espirituais que o pedinte tem é muito importante. Raras vezes temos a oportunidade de parar para trocar algumas palavras, mas um sorriso de incentivo e compreensão; às vezes apenas um bom dia acompanhado de palavra encorajadora, de um gesto amigo e compreensivo, são pequeninas coisas muito importantes para quem está tão “por baixo!”
Existem almas valorosas suportando, além da pobreza, outros sofrimentos atrozes junto aos seus, como filha inválida, esposa doente. Ele, coitado, tem as pernas com paralisia espástica, um braço semi-paralisado por um AVC. Conheço um assim. Está sempre sorrindo em sua cadeira de rodas (que lhe é uma bênção) e, no regaço, conduz sacos vazios que vende. Tem sempre uma palavra alegre ou uma risada quando a gente dele se aproxima. Conta anedotas e não se queixa. Psicologicamente é normal. Seu exemplo constitui um incentivo para pessoas deprimidas às quais nada falta.
Esmola, para ser caridade, tem que ser acompanhada da parte espiritual: uma palavra amiga, um interesse sobre a família, e, para ser completa, se possível, praticarmos a comiseração que é a piedade acompanhada da resolução dos problemas. Alguns são insolúveis por serem cármicos, mas, pelo menos a gente deve demonstrar algum esforço nesse sentido.
O que é que temos de fato? – São as virtudes acumuladas em várias encarnações e nas lutas intermediarias quando no plano espiritual. Além das virtudes, também o conhecimento que aliado a elas constitui a sabedoria. Essa é a nossa riqueza. O dinheiro e todos os bens terrenos são empréstimo de Deus que é o Dono de tudo no universo. São nossos os bens que adquirimos com o esforço íntimo: o sentimento, as emoções, as reações que provocamos ao próximo, benignidade, tolerância, compreensão, perdão, enfim, o amor incondicional. Quando pensamos mal de alguém, quando temos alguma mágoa, quando desejamos mal ao próximo, quando não compreendemos os atos infelizes do semelhante, quando não perdoamos aos outros e a nós mesmos, enfim, quando nos sintonizamos com faixas vibratórias inferiores, de nada vale dar muita coisa material, porque aí, deixamos longe a caridade. Quando ajudamos com bens materiais nas hecatombes, nos sofrimentos coletivos, não estamos praticando a caridade. Estamos sendo solidários. É esmola do que não é nosso; é do empréstimo de Deus. Convido à meditação: pesquisemos nosso íntimo para ver qual nossa situação ante a frase de Jesus

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