Notícias sobre: ‘Artigos’

Divaldo Franco: Transtornos obsessivos

terça-feira, agosto 22nd, 2017 71 views

Baixe este post em PDF

Partindo-se do princípio de que o Espírito é imortal, conforme os fatos constatados através dos tempos e, especialmente, por meio das pesquisas realizadas por Allan Kardec, que resultaram na codificação do Espiritismo, a vida no Além-Túmulo transcorre em condições parecidas com aquelas da organização material. Podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que a vida física é uma cópia imperfeita dessa espiritual de onde vimos e para onde retornamos. Cada indivíduo desencarna conduzindo os valores éticos de que se faz portador, no que resultaram os seus atributos e ações.

Os sentimentos permanecem conforme a sua constituição, porque o campo vibratório em que passa a viver é muito mais complexo do que o terreno. Tanto o amor quanto o ódio continuam-lhe nas paisagens mentais e emocionais facultando alegria ou desconcerto.

As afinidades afetivas aproximam os Espíritos um dos outros, qual ocorre no planeta. Afeições profundas auxiliam-se reciprocamente da mesma forma que as animosidades aumentam, dando lugar aos terríveis fenômenos das obsessões.

Em razão do nível moral muito primário em que se vive na atualidade, facultando a primazia das paixões primitivas, o número de pessoas atormentadas é muito grande, favorecendo que adversários desencarnados se lhes acerquem e lhes aumentem os desvios de conduta e produzam sérios transtornos de saúde.

O maior número de problemas nessa área diz respeito aos próprios enfermos que se não esforçam pela mudança de comportamento moral e mental, a fim de sintonizarem com as aspirações que dignificam e produzem saúde, comprazendo-se no pessimismo, na indiferença, no ódio e nos vícios que corrompem a existência.

Esse comportamento facilita a influência dos seres infelizes que pululam na Erraticidade, transformando-se-lhes em obsessores perversos quão insensíveis.

Jesus Cristo já lecionava o amor como sendo a solução para todos os problemas humanos. No entanto, esse sentimento sublime foi transformado nos desejos da libido indisciplinada e do egoísmo exacerbado.

As Instituições espíritas estão repletas de enfermos de todo o jaez procurando soluções mágicas para os problemas que os infelicitam. No entanto, a Doutrina Espírita oferece os recursos terapêuticos preventivos e curativos para sanar o grande mal, que é a reforma interior do indivíduo, baseada na Lei de amor, que se encontra ínsita no Evangelho de Jesus e descrita como “Fora da caridade não há salvação”.

O número, portanto, daqueles que são obsidiados é muito maior do que se pensa. Diante do quadro assustador, faze uma análise de tua conduta emocional e observa em que grau de sanidade te encontras, evitando com todo esforço o transtorno obsessivo de consequências graves.

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 27-07-2017.



Artigo: Lidando com obsessores

sábado, agosto 19th, 2017 43 views

Baixe este post em PDF

Tem-se percebido, salvo melhor juízo, que a temática referente à obsessão espiritual tem despertado o interesse de muitas pessoas, inclusive fora do meio espírita.

Considerando que os problemas decorrentes de obsessão espiritual não são fatos novos criados pelo Espiritismo, mas, ao contrário, sempre existiram, creio que esse interesse pelo tema tenha ocorrido como consequência da divulgação espírita, a partir, principalmente, das obras do Chico Xavier, bem como da propagação midiática da Doutrina Espírita nos últimos anos.

A ação obsessiva de um espírito desencarnado sobre outro encarnado não é especificidade dos espíritas. Por ser uma condição humana, atinge a todos, indistintamente,independente de crença, sexo, condição social ou aceitação do fato. Logo, é um tema que deve receber a atenção de todos, com vistas a solucionar a causa geradora ou, pelo menos, mitigar, momentaneamente, os efeitos, até que a causa seja efetivamente debelada.

Toda ação obsessiva representa uma condição inferior do obsessor. Espíritos esclarecidos, conscientes da nossa condição de aprendizes da prática do amor, conforme nos ensina a doutrina cristã, não se dão a essa prática. Assim, todo processo obsessivo é obra de espíritos maldosos, vingativos, invejosos ou, simplesmente, frívolos. Por consequência, todos ignorantes da lei de perdão e de amor.

Um dos instrumentos mais eficazes para lidarmos com a obsessão e seus efeitos, visando ao controle e à solução do processo, é aculturar-se sobre ao assunto. Conhecer o conceito, os métodos da ação obsessiva, o fator gerador, a gênese e a manutenção são ações importantes para ajudar na libertação da inquietação obsessiva. Conhecer é primordial para o obsidiado libertar-se do obsessor e para o obsessor libertar-se da ignorância que o mantém no processo obsessivo.

Não obstante, conhecer-se é imprescindível. A sugestão contida no portal do oráculo de Delfos, 350 a.C., mantem-se em vigor: Conhece-te a ti mesmo! Nesse sentido, lembremos Jesus quando nos sugeriu: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará!”.

Libertar-se do jugo obsessivo é trabalho de grande número dos espíritos encarnados;os chamados vivos. Como viajantes do tempo, arrastamos na esteira das nossas existências físicas, ao longo das múltiplas encarnações, as consequências das nossas escolhas atuais e pretéritas, representadas nos compromissos que assumimos uns com os outros, muitas vezes retratadas nos conflitos familiares, com grande carga emocional, com dores e decepções.

Os irmãos, desencarnados ou não, que nos acrisolam nas teias do processo obsessivo alimentam-se, principalmente, do medo consequente da nossa ignorância sobre o tema e navegam nas ondas das nossas crençase das nossas indecisões. A sugestão de Emmanuel para que nos amemos, mas que também nos instruamos, vem ao encontro da nossa necessidade de conhecimento. Isso nos fortalecerá contra a ignorância do bem que caracteriza os espíritos obsessores, encarnados e desencarnados.

O medo que porventura sentimos ao tratarmos desse assunto é consequência do nosso desconhecimento, da nossa ignorância. Na verdade, temos medo do desconhecido. Muitas vezes, por comodismo ou sectarismo religioso fugimos do assunto e preferimos conviver com o processo e seus efeitos, mesmo nos gerando desconforto, angústia e infelicidade.

Assim, a cada dia, estudar espiritismo torna-se uma condição de bem-estar e harmonia intra e interpessoal. Engana-se profundamente quem acessa o Espiritismo em busca de uma doutrina religiosa apenas. Quem assim age, esquece ou desconhece que Kardec conceituou a Doutrina Espírita como uma ciência de observação e uma filosofia com consequências religiosas. Como ciência de observação, compreende a auto-observação na busca de conhecer-se (Conhece-te a ti mesmo) e identificar o que precisa mudar para melhor em nós; como filosofia, define o conjunto de atitudes e comportamentos baseados na doutrina cristã que, se bem compreendidos e bem exercidos, favorece-nos a religiosidade que nos aproxima de Deus, no sentido da religação das criaturas com o Criador.

Todos somos aprendizes da vida, que sempre nos ensina o que precisamos saber para que nos tornemos pessoas melhores. Ser melhor significa viver e conviver na busca permanente do aprendizado que determina que nos amemos uns aos outros. Que cuidemos de nós, mas também uns dos outros na busca da consecução do bem para todos. Essa é a finalidade… o objetivo da vida na Terra.

Ensina-nos a Doutrina Espírita que a obsessão se dá de forma interpessoal de desencarnados para encarnados e vice-versa, bem como entre os encarnados (os vivos). Ocorre, ainda, por intermédio de terceiros, quando o obsessor, não conseguindo atingir diretamente o seu desafeto, o faz mediante o acesso a pessoa querida do indivíduo a quem se dirige a ação obsessiva.

A ação obsessiva se dá de forma mais patente e efetiva quando o obsidiado detém uma sensibilidade mediúnica mais elevada. A mediunidade facilita o acesso do desencarnado ao campo mental do médium. Essa condição, muitas vezes, explica os casos de obsessão indireta, mediante terceiros, como filhos, cônjuges etc.

Há de se perguntar por que os nossos protetores espirituais permitem tal fato. A Terra é um planeta onde encarnam espíritos com necessidades expiatórias, ou seja, que precisam experienciar as consequências de suas escolhas equivocadas, com vistas ao aprendizado e à mudança de comportamento. Não obstante,destina-se também a oferecer as provas que determinarão, ou não, que o aprendizado se deu.Assim, nossosmentores permitemesses enfrentamentos como oportunidades para a construção das experiências que formarão o conhecimento que nos libertará dos males da ignorância e da falta de amor, a partir da conscientização dos erros cometidos, da necessidade do perdão e, principalmente, da mudança interior (reforma íntima).

Quando Jesus nos sugeriu amar aos nossos inimigos, na verdade Ele sabia que aqueles a quem chamamos de inimigos são irmãos que trazemos do passado, como consequência dos nossos relacionamentos tumultuados e egoísticos. Assim, o obsessor do presente é sempre um companheiro do passado.

Muitas vezes, os processos ditos obsessivos são, na verdade, o nosso encontro com esses companheiros, que buscam o ressarcimento de nossas dívidas morais/emocionais para com eles. São irmãos a quem ofendemos e com os quais nos comprometemos em outras existências. Por benevolência divina, é-nos permitido o reencontro para que resgatemos essas dívidas, pela dedicação e zelo que lhes ofereçamos, reconstruindo os laços de fraternidade que deve nos unir.

Ou seja, a melhor – senão a única – forma de lidarmos com aqueles a quem chamamos de obsessores é: 1) alimentarmo-nos de todas as informações que possam nos trazer reflexões e conhecimento sobre a nossa realidade espiritual, da qual não podemos fugir, aceitemos isso ou não; 2) mergulhar em nossa intimidade consciente e inconsciente na busca de atitudes e comportamentos que contrariem a regra áurea dos relacionamentos, que nos manda fazer aos outros apenas o que gostaríamos que nos fosse feito e mudá-los; 3) exercitar a prática do perdão incondicional; e 4) convencer os nossos irmãos obsessores de que estamos imbuídos e conscientes da necessidade de autoaperfeiçoamento, mediante a prática diária do bem e do amor ao próximo – inclusive, e principalmente, a eles próprios.

Por Ricardo Honório, palestrante na Comunhão Espírita de Brasília



Artigo: Carne x Espírito

domingo, agosto 6th, 2017 90 views

Baixe este post em PDF

Pra que comparar, medir, julgar?
Quem vale mais:
Inteligência da carne?
Sabedoria do Espírito?

Se tudo é instrumento, benção e degrau
Começo, meio e fim
Etcétera e tal

Corpo transitório?
Espírito imortal?

Só sei que estar viva
É alegria preciosa.
Ainda que múltiplas,
As vidas também são únicas em cada expressão.

Dizem que a Existência é mais forte no além.
Recuso-me a sentir aqui como aquém.

O que a mente separa,
O corpo teima em contradizer:

No respirar, sentir e amar
No comer, gozar, gargalhar
Tudo aponta…
O quanto a Terra é sagrada
Quão fantástico é estar viva!
Orgânica, terrena, falível, instintiva.

Desisto de conjecturar,
Abro mão de analisar.

A vulnerabilidade de estar na matéria,
Concilio e bendigo:
Aos meus olhos inteiros
A carne e o osso parecem ser…
As expressões mais sagradas do Espírito!

(Daniela Migliari, 23 de julho de 2017)

*Pintura*: Alex Gray

*Observação*: “_Nos indivíduos plenamente desenvolvidos, não existe conflito entre corpo e alma, pois descobriram que seu instrumento físico é uma extensão de seu Espírito_” – do espírito Hammed, no texto “Autopercepção”, do livro “A imensidão dos sentidos”).



Artigo de Divaldo Franco: Roma

quarta-feira, agosto 2nd, 2017 190 views

Baixe este post em PDF

Por  Divaldo Pereira Franco, Médium e Conferencista

Em nossa atual viagem de divulgação do Espiritismo na Europa, iniciada a 9 do corrente, foi-nos proporcionada a oportunidade de enunciar conferências em Paris, Dublin, Londres, Bruxelas, Luxemburgo, Mannheim, Stuttgart, Frankfurt, Haya, Estocolmo, Copenhague, Berlim, Bad Honnef, Colônia e agora estamos em Roma…

A experiência iluminativa vem ocorrendo há 34 anos, em diversas cidades de Portugal, Espanha e Suíça e ainda se prolongará até o próximo dia 8 de junho, em Viena.

O que mais nos surpreende é a velocidade do tempo solar, no seu incessante movimento, que tudo transforma, que tudo altera, dando lugar a renovações e realidades cada vez mais complexas.

A princípio, as conferências eram realizadas com dificuldade em razão do preconceito que vigia nas culturas terrestres contra o Espiritismo e que se foi modificando em razão da profundidade dos conteúdos doutrinários dessa ciência de filosofia e moral de caráter religioso que Allan Kardec codificou e apresentou em Paris no dia 18 de abril de 1857.

Em Roma, todavia, foram inevitáveis as evocações do Cristianismo primitivo, as suas grandiosas e inolvidáveis sagas, o período do martirológio, das perseguições inclementes, encerradas durante o período de Diocleciano, um verdadeiro déspota.

Logo após, com o Edito de Milão em 13 de junho de 313, Constantino tornou a doutrina cristã tolerável e o pensamento se expandiu, influenciando a cultura do Ocidente e, de alguma forma, também, a do Ocidente.

Guardadas as devidas proporções, o Espiritismo, na atualidade, demonstrando a imortalidade da alma, por intermédio das comunicações espirituais e a justiça divina por meio da reencarnação, apresenta-se rico de sabedoria confirmada pelos fatos, trazendo de volta a ética de Jesus para alterar por definitivo a sociedade hodierna.

Numa civilização em que se alcançaram os índices mais elevadas de ciência e tecnologia, não se conseguiu tornar a criatura mais humana e mais feliz.

Os elevadíssimos e alarmantes índices de suicídio, a pandemia da depressão, para citar apenas dois dos muitos males avassaladores, demonstram que o cristão esqueceu do Cristo e que as demais doutrinas religiosas não lograram atingir os seus objetivos: tornarem os homens e as mulheres bem-aventurados!

Vemos, melancolicamente, os escombros daqueles tempos heroicos, e a futilidade, assim como a incoerência, dominando mentes e corações que rumam sem esperança e em terrível solidão…

O Espiritsmo restaura os postulados evangélicos e convida à reflexão sobre o ser e sua imortalidade, convidando à paz e à plenitude através do amor e da renovação moral para melhor.

Este é o momento para despertar-se e buscar a Vida.

 

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 01-06-2017



Artigo: Equilibrando e iluminando nossas sobras

segunda-feira, julho 17th, 2017 70 views

Baixe este post em PDF

Um breve história inicia nosso texto de hoje:

“Era uma vez uma mulher que era muito controladora. A famosa “control freak”, como dizem por aí. Ela conheceu uma expressão espiritual que muito a contentava e dedicou-se a iniciar a trilha do ‘Conhece-te a ti mesmo’. Estudava com devoção a vida de Jesus e, como serviço-aprendizado, secretariava um grupo de implantação do Evangelho no Lar de famílias que precisavam desta prática-luz em suas vidas. Atuava, também, nas visitas a essas casas. Aquilo lhe proporcionava imensa alegria!

Mesmo nesta trilha abençoada, ela ainda controlava tudo que podia à sua volta, e essa atitude começou a incomodar a si mesma e às pessoas em volta. Ficou tão angustiada com essa característica que decidiu mudar e fez uma prece fervorosa aos céus, pedindo do mais fundo do seu coração para que Deus arrancasse o controle dela. Terminou a prece em prantos sentidos.

Cinco minutos depois, já recomposta e voltando a si, foi abrir seus e-mails e viu a seguinte mensagem da dirigente de seu grupo espiritual à diretoria à qual se reportava: “Graças ao controle minucioso exercido pela nossa secretária, duplicamos o número de lares visitados pelo Evangelho de Jesus”.

Chocada e embevecida com a palavra direta de Deus, porque há horas em que Ele não manda sinais, mas sim, tortas na cara, ela caiu de joelhos, num pranto realmente forte e agradecido. ‘Sim, Pai, recebi a Sua mensagem’. Daquele dia em diante, ela começou verdadeiramente a compreender que tudo serve ao Amor. Absolutamente tudo.”

*QUEM ESTÁ A SERVIÇO DE QUEM?*

Esta história real revela a luz que existe na sombra. Basta equilibrar a sua expressão. Para ilustrar esta compreensão, recorremos à imagem de um botão de volume de som. Pensando ainda em termos de “controle”, se estiver no volume dez, ele realmente incomoda bastante. Seu ruído fica alto demais, e ele – o controle – passa a preponderar e a usar a pessoa em questão, e não o contrário. E, afinal, quem está a serviço de quem? Quem manda em quem?

Por outro lado, o volume zero de controle mostra outro extremo desta equação. Sem controle algum, como ficariam as contas, a dieta, a agenda, a vida profissional? Novamente vem a pergunta: quem está a serviço de quem? Quem manda em quem?

Haverá momentos em que o controle, ele mesmo, precisará estar no zero, outras horas no dez, no oito, no cinco. Cada seara com sua demanda.

Num relacionamento, diversos níveis precisam ser regulados e administrados. Mas, quanto à reação do outro, o controle precisa estar em que volume?

É o movimento entre o zero o dez, momento a momento, desenvolvendo a sintonia fina da auto-observação, da observação do outro e das dinâmicas das relações que nos traz consciência, despertamento e sabedoria.

*CONHECE-TE A TI MESMO E MODULA O VOLUME*

E assim é com diversas outras expressões de nosso ser. Mesmo a violência, a raiva, o medo. Todos são úteis em situações muito particulares da vida. Numa situação de perigo, por exemplo, tudo que precisamos ter é muita adrenalina correndo nas veias para saber direcionar e dar bom uso a estas expressões. Sendo coerentes sempre mediante as Leis Divinas e as da Terra. O equilíbrio é a chave de tudo.

Nesses dias, propus este exercício a uma criança. Pedi que citasse as três características que mais a incomodavam. Ela mencionou: ‘ser fofoqueira’, ‘encrenqueira’ e ‘mandona’. Fomos olhar mais de perto e vimos as luzes que se expressam nesses lugares.

A fofoqueira é a comunicativa no volume dez, com o foco desviado para fora.

A encrequeira é a justiça tomada de forma desvirtuada no volume 8, segundo a própria criança. E provoquei: “Mas o que seria de nós se as tropas americanas não fossem encrenqueiras o suficiente para ir pro front combater o nazismo?”.

A mandona tem uma pró-atividade “nível 9” que pode acessar grandes riquezas se aprender a ouvir mais e abrir-se às sugestões dos demais coleguinhas. E valorizar-se com seu movimento de liderança bem ordenado e equilibrado.

*A RIQUEZA QUE MORA NAS SOMBRAS*

Este é um exercício que só parece ingênuo, mas que se levado ao mais fundo do nosso ser pode ser um imenso acervo de tesouros. Nossas sombras têm um porquê de se expressarem exatamente como se expressam. E precisam ser vistas e olhadas exatamente como são. Sem enfeites, sem subterfúgios, sem filtros.

Vamos olhar mais além e conversar com elas: “Por que você está aí?”. Ela responde: “Bem, quando precisei controlar tudo à minha volta, foi porque me senti insegura por tanto tempo, num determinado período da minha vida, que precisei mesmo desenvolver este aspecto para me garantir sã e segura. E quer saber? Foi bom, foi útil, foi fundamental ter atravessado este lugar no volume 10 do controle. Sendo mais exata: foi o que me salvou!”

Reverenciar este esforço, no momento certo, da forma como foi, é o que faz nossas dores se aquietarem e se permitirem tomar um novo sentido.

Elas precisam de validação por um tempo: “tudo bem ser ciumento, você precisou disso”; “tudo bem ser raivosa, você precisou disso”; “tudo bem ser avarento, você precisou disso”. TUDO BEM!!!!!!!!!!!!!

*VALIDAÇÃO NECESSÁRIA ANTECEDE O NOVO MOVIMENTO*

No momento seguinte, validado, o aspecto em questão quer sair da sombra e mostrar seus contornos mais sagrados. Então, olhamos para ele, o aspecto-sombra, e convidamo-lo ao novo, falando conosco mesmos: “O aspecto-x agora está mandando em mim, que tal fazer uso dele e não me deixar ser tão usado? Os tempos são outros, não preciso mais tanto dessa defesa assim. Ela foi útil sim, e ainda é ou será em um ou outro momento mas, pelo menos por agora, pode tornar-se num instrumento a ser equilibrado e usufruído com sabedoria”.

Em seguida, vamos colocando cada coisa em seu lugar: “Cabe mesmo eu exigir isso de mim? Do outro? Eu já estou tão segura em dizer NÃO que já posso me permitir dizer SIM algumas vezes?”

Enfim, a inspiração e os passos seguintes nos chegam por meio das nossas relações mais próximas. De ouvir aqueles que mais reclamam de nós.

Os desequilíbrios nos mostram onde estamos com volume muito alto ou muito baixo. As portas fechadas em nossa cara indicam o que precisa ser visto. As perdas mais dolorosas são um mapa do tesouro.

A Vida se expressa por meio dos aprendizados, apontando claramente a direção a seguir para amar mais, confiar mais e se entregar mais.

Convido-me, momento a momento, a fazer bom uso deste botão do volume. Ver a luz que reside na sombra, nos excessos, nos extremos e equilibrar. “Pasito a pasito”, pode ser leve, pode ser doce.

(Daniela Migliari. Texto escrito em Brasília, 15 de julho de 2017).



Artigo: Campos vibracionais

sexta-feira, junho 9th, 2017 109 views

Baixe este post em PDF

*CAMPOS VIBRACIONAIS – Compreendendo a ‘água’ em que estamos mergulhados* –
(Tempo de leitura: 5 minutos)

Compreender a forma como ativamos o melhor ou o pior em nós e no outro, atuando sobre o campo vibracional, é quase como um peixe compreender a água em que está mergulhado.
A real noção dessa responsabilidade que temos sobre os nossos atos é tão gigante e intensa que, muitas vezes, não conseguimos encará-la. No entanto, se bem compreendida, ela pode ser leve, pode ser doce, pode ser vivida passo a passo. Quanto mais focada em cada pequena expressão de nosso ser, tão mais substancial e iluminada essa consciência será.

Para apreendermos um pouco dessa água em que estamos mergulhados, precisamos falar de comportamentos humanos culturalmente repassados, de geração em geração. Vamos a alguns deles:

– Para fazer valer quem somos precisamos nos sentir melhores do que o outro, desavisados de que, quanto melhor estiver o outro, melhor estaremos, posto que vivemos numa rede absolutamente interdependente.

– Em muitos momentos, ao sinal de qualquer contrariedade, sentimos, falamos, apontamos e esperamos o pior das pessoas. Seja de nós mesmos, do cônjuge, dos filhos, dos colegas com quem convivemos. Junto com a exclusão de cada um deles, empobrecemos.

– Ainda que interdependentes, cada um tem seu caminho único, exclusivo, específico a desbravar e criar. A cada interferência com intenção de controle ativo do resultado, estamos perdendo o foco (e a energia) da própria caminhada e atrapalhando ou despotencializando o caminhar do ser que nos julgamos no papel de exigir uma resposta à nossa maneira.

– Não conseguimos abraçar a sombra, os “aindas-em-aprendizado”. Então, projetamos para fora tudo aquilo que não abraçamos, integramos e conciliamos dentro.

– Agimos de um lugar de desconexão desta rede, nos conectando a um sentimento de insegurança. Desligados da Fonte, ou seja, da confiança de que existe uma Ordem Maior de Amor nos conduzindo, caímos na ilusão de que “precisamos estabelecer controle, ou tudo irá de mal a pior”.

– Assim, começamos a impor ao mundo a nossa forma pessoal de sentir, pensar e agir. Passamos a cobrar que as pessoas façam do nosso jeito, ou tudo pode dar errado.

Pode parecer cansativo, dual e incômodo reconhecer cada um desses lugares em nós… Eu sei. Mas nessas horas me convido à firmeza de persistir, pois é na sombra que estão nossos grandes aprendizados e potenciais de luz. Ao olhar para esses comportamentos e perscrutá-los com atenção e auto-amor, vamos mais além.

No contexto da ativação do melhor e do pior em nós e nos outros, conhecer esses mecanismos nos permite compreender a forma como estamos emaranhados com as pessoas que nos cercam, e como nosso campo pessoal atua sobre os deles.

*A ESCOLA DA CONVIVÊNCIA*

Certa vez, há muitos anos atrás, um amigo meu me disse: “Dani, estamos nesse mundão de Deus pra (gente) se relacionar (com as pessoas)”. Naquela época eu me senti muito mexida com essa frase, e ela nunca mais saiu de mim. Foi um momento de encontro com A Verdade, aquela que tanto nos toca e nos liberta.

Esses emaranhamentos, e cada um deles, são os instrumentos de que a professora Vida se serve para nos ensinar. Ao mesmo tempo que são mapa da mina, fiquemos atentos para que a gente use o tesouro e não o contrário. Quem manda em quem? Falo isso porque em muitos momentos nos deparamos com a imensa tentação de nos apegarmos aos “rolos”, nos vitimizarmos e ficarmos por ali, lambendo o chão das zonas estéreis das lamentações.

E conforme vamos nos dando conta do caminho do meio que existe entre conviver e invadir; entre estender a mão e aprisionar alguém, cobrando multas e juros em seguida; entre amar e exigir; vamos percebendo quanta riqueza temos a desenvolver em nossa própria história, e passamos a fluir e passear pelas pessoas com quem convivemos, com beleza, inteireza, admiração pelo tempo evolutivo de cada um. Enfim, com embevecimento pelos seus tempos e processos internos – sejam como sejam.

Desistimos de querer salvá-los ou apontar o melhor rumo a seguir. Num movimento de humildade, nos recolhemos tão somente ao nosso próprio – e suficiente – lugar. Tratamos de fazer o melhor de nossas vidas, deixando brilhar nossa própria luz que, como diz Mandela, é a melhor maneira de, inconscientemente, permitir que os outros façam o mesmo. Seguimos focados em amar e alegrar os caminhos por onde passamos. Espelhamo-nos uns aos outros, aprendemos com isso, mas estamos sempre focados naquilo que tão somente nos cabe.

*DESCOBRINDO A BELEZA DOS “AINDAS”*

Indulgência. Nesta palavra, em latim, estão os sufixos in-dulce – doçura dentro. Quando nos deparamos com algum aspecto em construção em nós e no outro, as “incapacidades-ainda”, podemos olhar também para o que já está lá. Ou seja, para a capacidade de florescer e de acertar.

Uma criança que ainda não aprendeu a andar tem em si todas as possibilidades de, amparada, poder dar um passo após o outro. Mas se os pais desistirem dela e disserem: “esta definitivamente não anda”, o esforço dela precisará ser ainda maior na vida. Os pais terão perdido a oportunidade preciosa de apostar nos “aindas” da criança. Precisamos ter calma e acreditar que nossos “aindas” serão, no tempo certo, novas realidades.

Para isso, o foco precisa estar na confiança de que a Vida que habita a todos, o Amor que de nós se serve, irá trazer as oportunidades perfeitas para que cada um, a seu tempo, floresça. Basta a gente não atrapalhar muito. E à medida que pudermos atuar no apoio dessas pessoas, não como um professor ou salvador, mas como alguém que está ao lado, incentivando, sendo belo em seu próprio caminhar e estimulando o outro a desenvolver seu próprio percurso, estaremos entregando o nosso melhor ao mundo.

Sou apaixonada pela palavra “ainda”, que sorvi da fonte de sabedoria de minha amada mamãe. Simplesmente porque o “ainda” guarda em si todas as potências do Amor em Movimento. É uma palavra que sugere: algo em mim (e no outro) está em curso e chegará lá! Simplesmente amo a liberdade, a fé e a confiança que esta palavra desperta em mim.

*CONVITE A MIM MESMA (E QUE TALVEZ POSSA SERVIR, TAMBÉM, A VOCÊ)*

Nesse lugar mais livre, permito-me olhar para meus processos com calma, com leveza, auto-amor, e assim fico mais forte e nutrida para olhar para cada um dos professores que a Vida nos traz. Os observo com calma, acolho suas necessidades, converso com eles num processo de profunda empatia.

Amparada pelo Evangelho de Jesus, convido-os a vivenciar – devagar – a Boa Nova e, juntos, vamos amadurecendo e ensaiando novos pensamentos, sentimentos, palavras, atitudes e hábitos.

Deste lugar, plena de auto-amor e indulgência por mim mesma, passo a ter isso para oferecer aos outros. Olhando-os com as mesmas posturas, ativo seus campos de florescimento, posto que há coerência interna em mim para tanto.

Explica-se, assim, o “como a ti mesmo” da regra de ouro de Jesus: “Ame ao próximo, COMO A TI MESMO”. O “fora” sempre nos estimula e instiga, mas ganha força dentro: ativando nosso próprio campo interior e, então, ativando o campo do outro da forma mais livre, bonita e consciente que pudermos expressar, momento a momento.

(Daniela Migliari, 26 de maio de 2017, num voo entre São Paulo e Brasília)

*TEXTO 5 DA SÉRIE*: _A alegria de co-criar o mundo com responsabilidade e amor_ – Uma reflexão sobre como ativamos o melhor e o pior em nós e nos outros.