Notícias sobre: ‘Artigos’

Mensagem de Divaldo Franco durante o 4º Congresso Espírita Sul Americano

sexta-feira, dezembro 15th, 2017 69 views

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«Hoje há muitos conferencistas que se dizem espíritas, mas só trazem para os Grupos e para os países conferências de auto-promoção, e não de valor ou de conteúdo espírita, quais: Apometria, Projeto Espiritizar e outros temas mais, buscando somente a sua promoção pessoal.

«O quê fazer para que retornemos aos estudos verdadeiramente espíritas, conforme Allan Kardec? O quê fazer?: Não convidá-los!

«As pessoas ficam muito impressionadas, mesmo, com os espíritas do exterior; qualquer brasileiro que recém comece a falar, já o convidam: vão a Europa, a América do Sul. Eles fazem lindos discursos, porque são pessoas inteligentes; leram, aprenderam, têm determinada profissão e assim fazem simpatizantes, mas para levá-los aos seus consultórios…

«Tenho visto médicos, que se tornam conhecidos, e eles narram seus fatos, seus “milagres” que fazem nos seus consultórios. Pessoas que tiveram tais ou quais problemas e, então, cheias de problemas tomam determinada direção, pagando muito caro as consultas. Essa é uma leviandade!

«A tribuna espírita não é um lugar de auto-promoção: é um lugar de divulgação do tema para o qual a pessoa foi convidada. É lamentável que se convide a proferir conferências a qualquer pessoa que aparece no facebook, ou porque é simpático ou porque é um homem bonito, não faltando assim convites. Mas o rosto é muito perigoso, porque usam desse “argumento” para a sedução.

«Conheço alguns que seduzem com a palavra e depois seduzem sexualmente, porque algumas pessoas doentes se apaixonam; os maus Espíritos, os inimigos, para precipitar a queda dessas pessoas no abismo, os induzem a viver esses tormentos. Doutrinadores de reuniões mediúnicas que se apaixonam pelos seus médiuns e vice-versa; então, é da natureza humana.

«Não devemos convidar a qualquer um, porque ele tem suas ideias próprias.     «Por exemplo, esse caso do Projeto Espiritizar foi extraído de uma mensagem de Joanna de Ângelis; foi um amigo muito querido, que não deixou de ser querido, mas eu não concordo com a ideia.

«Não há apêndices no Espiritismo; só há Espiritismo, nada mais. Há pessoas que dizem que são “espíritas Kardecistas”: isto não existe, porque se há “Kardecistas”, haveriam os “não Kardecistas”. Somente existem os “espiritistas”, como diz o próprio Allan Kardec, que criou a palavra “Espiritismo” para diferenciá-la de “Espiritualismo”, e assim por diante.

«Portanto, a melhor maneira de combater a esses aventureiros é não convidá-los, e se os convidar, ao terminar a exposição deles, nós poderemos dizer: “Falou muito bem, mas não falou sobre Espiritismo”. Se em vossa Casa Espírita vier uma pessoa, à qual franqueamos a palavra, e dizer algo que não concorde com a Doutrina, quando ela senta, diremos: “Meus amigos: foi uma conferência magistral, muito bonita, mas não foi doutrinária”.

https://youtu.be/23-8rabL4z0



Nota Pública do Movimento Brasil sem Aborto

sexta-feira, dezembro 1st, 2017 52 views

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O Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto soube da apresentação ao Supremo Tribunal Federal (STF), na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, de uma solicitação concreta de aborto por uma grávida, Rebeca. Ela apresenta as suas dificuldades para ter o filho e comenta que “se eu estivesse vivendo outra realidade, o mínimo diferente que fosse, eu não estaria escolhendo fazer um aborto”. Como participam do movimento diversas instituições de apoio e amparo à gestante, indicamos em nossas redes essa situação. Muitos já se manifestaram com disposição de ajudá-la, para que não se veja nessa dolorosa situação de fazer um aborto por não ver outra solução. Efetivamente, temos a experiência de que sempre há outras soluções possíveis, que preservam a vida da mãe e do filho.

Rebeca pode contar com casas de acolhimento durante a gravidez, inclusive levando os seus outros 2 filhos. Pode contar com amparo financeiro de muitos voluntários, se preferir ficar em sua casa, e vários casais já se apresentaram para adotar essa criança, caso ela realmente não deseje ficar com ela. Temos também a certeza de que não lhe faltará emprego, como ela supõe. Infelizmente, muitas mulheres abortam por imaginar dificuldades que podem não se concretizar. É importante ressaltar que as instituições que se prontificaram a amparar Rebeca têm larga experiência de ajuda a gestantes que pensavam em abortar seus filhos e, depois de amparadas, apoiadas, amadas, esclarecidas, essas mulheres acabam por optar pela vida de seus filhos. Compreendem que o aborto nunca é a solução, por mais difícil que seja a situação na qual uma gestante se encontra ao saber-se grávida de um filho não planejado, pelo contrário, a dor de ter eliminado uma vida no seu nascedouro, que dela demandava proteção e amor, é muito maior.

Parece-nos que os que defendem o aborto em todas as circunstâncias veem nesta ação a possibilidade de alcançar um objetivo muito claro: obter pela via judiciária o que não conseguiram junto ao Congresso Nacional, desde a derrota do Projeto de Lei 1.135 de 1991, que propunha a descriminalização total do aborto no Brasil, após 20 anos de tramitação. Não se pode dizer que o legislativo é omisso nesse assunto. Querem repetir no Brasil o que aconteceu nos Estados Unidos da América, que legalizou o aborto, em 1973, a partir da decisão do julgamento do caso “Roe vs Wade”. Vale lembrar que “Roe” – cujo verdadeiro nome era Norma McCorvey-, recentemente falecida, tornou-se depois militante pró-vida, contra o aborto.

Entendemos que não cabe ao STF permitir o aborto, porque é inconstitucional, considerando o Artigo 5º da Constituição Brasileira, que expressa claramente a “inviolabilidade do direito à vida”. Pensamos não ser coincidência essa demanda justamente quando a PEC 181/2015, em discussão na Câmara dos Deputados, propõe tornar esse direito mais explícito ao acrescentar a este mesmo artigo que esse direito existe “desde a concepção”. Além disso, o fórum constitucional de elaboração das leis é o Congresso Nacional, sendo lá que o debate sobre esta questão deve continuar sendo feito e não no âmbito do Poder Judiciário.

Apelamos aos ministros da Suprema Corte Brasileira para que busquem sintonizar-se com a consciência da maioria do povo brasileiro, que se manifestou em diversas oportunidades pelo direito à vida, desde a concepção. Não queremos a morte das mulheres eliminando-as ainda no ventre materno. Queremos vida e as instituições provida do Brasil, que reúnem milhares de militantes, não só lutam pela manutenção da atual legislação brasileira sobre o aborto, como tem, no anonimato, acolhido e amparado milhares de mulheres que, em situações as mais diversas, pensam, num primeiro momento, em abortar seus filhos, mas quando encontram apoio e amorosidade, quase sempre decidem pela vida. Estamos de braços abertos para receber Rebeca e seus 3 filhos.

Brasília, 24 de novembro de 2017

Movimento Brasil sem Aborto



Artigo de Divaldo Franco: Arte

terça-feira, novembro 21st, 2017 166 views

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Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, por ocasião do lançamento das suas excelentes obras no século XIX, teve a preocupação de referir-se à arte pagã, à cristã assim como à necessidade do surgimento daquela que seria a arte espírita.

A Arte em si mesma experimentou, desde os seus primórdios, características variações representando as diferentes escolas de pensamento do progresso da humanidade, fazendo-se manifestação da beleza de cada período. Desde a clássica à moderna, à contemporânea, apresentou-se de forma própria, a significar os acontecimentos então em voga.

Dostoiévski, na sua magnífica obra O Idiota, coloca nos lábios de um príncipe cristão a afirmativa de que A beleza salvará o mundo. Tradicionalmente,  beleza significa a qualidade, a propriedade ou virtude do que é belo, que desperta sentimento de êxtase ou prazer dos sentidos. Entretanto, a variedade dos estágios emocionais da criatura humana, os seus níveis de consciência, suas culturas que expressam as aquisições intelecto-morais, sentem a beleza de maneira mui variada. Daí a razão das diferentes formas de ver-se e compreender-se a arte, esse extraordinário instrumento através do qual a beleza é identificada. Em consequência, em cada ocasião em que os artistas optaram por mudar os padrões vigentes de beleza, criando novos modelos, sempre houve reações dos seus coetâneos e discordâncias culturais, que não impediram a sua aceitação do tempo.

Recentemente vem chamando a atenção, facultando discussões e debates acalorados, comportamentos apresentados em diversos museus no Brasil: em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, como sendo maneira elevada de expressar a Arte.

Desejo referir-me à ocorrência que teve lugar no MAM (Museu de Arte Moderna), em São Paulo, com a apresentação do jovem despido e a visita de crianças, convidadas a tocá-lo, contemplá-lo e compreender o significado da nudez… Em Belo Horizonte, não menos avançada tem sido a exposição de pinturas grotescas de prática sexual, algumas aberrantes com animais e outras numa crítica feroz à cruz, símbolo de algumas doutrinas religiosas…

Percebe-se que as apresentações excedem todos os níveis de dignidade humana, a iniciar-se no homem nu, por alguns especialistas denominado como um caso típico de pedofilia aberrante e na segunda apresentação, uma violenta fúria contra o comportamento sexual, deixando a ideia de que o mesmo é vulgar e doentio.

Lamentavelmente, num momento em que os padrões éticos desapareceram quase que por completo, deveremos esforçar-nos para que sejam restabelecidos os valores morais de equilíbrio para a preservação da beleza na Arte.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde,
coluna Opinião, em 19.10.2017.



Dia de Finados, por Divaldo Franco

sexta-feira, novembro 3rd, 2017 182 views

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Curiosamente, o calendário cristão reservou o dia 1º de novembro para homenagear todos os santos e, de imediato, o dia 2 para dedicar aos mortos.

À medida que transcorreram os anos, as celebrações religiosas dedicadas aos desencarnados que se santificaram e aos que permaneceram na condição humana convencional foram-se modificando. Em alguns países, como ocorre no México, o dia dedicado aos mortos reveste-se de muitas tradições, mitos e superstições, sendo festivo sob qualquer ponto de vista considerado. Noutros países tornou-se uma oportunidade para evocar a saudade e a gratidão, envolvendo a memória dos seres queridos em afetividade. Procura-se melhorar a tumba, adorná-la de flores, realizam-se celebrações de cultos em sua homenagem, e o sentimento parece tão profundo que no Brasil é feriado, conforme o fora no passado o dedicado aos santos.

Nada obstante, os seres realmente amados são recordados todos os dias e não apenas nessa data, mantendo-se uma vinculação profunda por meio da oração, das memórias inolvidáveis, do carinho que não desaparece com a desencarnação.

Por sua vez, eles continuam a viver, cada qual em um estágio evolutivo, que resulta da sua conduta moral e espiritual quando se encontrava no corpo carnal.

Segundo algumas tradições teológicas, permanecem dormindo, na expectativa do fim do mundo, quando serão julgados e então liberados ou condenados eternamente.

É, sem dúvida, paradoxal esse comportamento, porquanto, aqueles que subiram aos altares na condição de santificados, não permaneceram adormecidos, nem foram submetidos ao Juízo final.

A verdade, no entanto, é que a morte jamais destrói a vida. O libertar do corpo é fenômeno biológico, porém, o ser tem existência imortal, permanecendo além da material com os valores armazenados ao largo das reencarnações mediantes as quais se depura e ascende a Deus.

São muito respeitáveis as celebrações afetivas em memória dos mortos. Nada obstante, se fossem transformadas as flores em pães e alimentos para os esfaimados da Terra, em carinhosa evocação dos seres queridos, os resultados seriam muito mais valiosos e benéficos para os doadores e os beneficiados.

Poderemos movimentar as pessoas à prática da caridade junto às criaturas sofredoras do mundo físico, aproveitando-nos desse dia singular, auxiliando-as a terem diminuída a miséria em que estorcegam e as dores que as maceram.

Ao invés de visitar-se os cemitérios onde os mesmos não se encontram, ir-se aos lares de idosos abandonados, de criancinhas desvalidas e de enfermos, levando-lhes bênçãos de amor com a presença e dádivas socorristas.

Teríamos um dia dedicado a minorar a solidão e exaltação da vida imortal.

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 02-11-2017.



Divaldo Franco: Transtornos obsessivos

terça-feira, agosto 22nd, 2017 122 views

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Partindo-se do princípio de que o Espírito é imortal, conforme os fatos constatados através dos tempos e, especialmente, por meio das pesquisas realizadas por Allan Kardec, que resultaram na codificação do Espiritismo, a vida no Além-Túmulo transcorre em condições parecidas com aquelas da organização material. Podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que a vida física é uma cópia imperfeita dessa espiritual de onde vimos e para onde retornamos. Cada indivíduo desencarna conduzindo os valores éticos de que se faz portador, no que resultaram os seus atributos e ações.

Os sentimentos permanecem conforme a sua constituição, porque o campo vibratório em que passa a viver é muito mais complexo do que o terreno. Tanto o amor quanto o ódio continuam-lhe nas paisagens mentais e emocionais facultando alegria ou desconcerto.

As afinidades afetivas aproximam os Espíritos um dos outros, qual ocorre no planeta. Afeições profundas auxiliam-se reciprocamente da mesma forma que as animosidades aumentam, dando lugar aos terríveis fenômenos das obsessões.

Em razão do nível moral muito primário em que se vive na atualidade, facultando a primazia das paixões primitivas, o número de pessoas atormentadas é muito grande, favorecendo que adversários desencarnados se lhes acerquem e lhes aumentem os desvios de conduta e produzam sérios transtornos de saúde.

O maior número de problemas nessa área diz respeito aos próprios enfermos que se não esforçam pela mudança de comportamento moral e mental, a fim de sintonizarem com as aspirações que dignificam e produzem saúde, comprazendo-se no pessimismo, na indiferença, no ódio e nos vícios que corrompem a existência.

Esse comportamento facilita a influência dos seres infelizes que pululam na Erraticidade, transformando-se-lhes em obsessores perversos quão insensíveis.

Jesus Cristo já lecionava o amor como sendo a solução para todos os problemas humanos. No entanto, esse sentimento sublime foi transformado nos desejos da libido indisciplinada e do egoísmo exacerbado.

As Instituições espíritas estão repletas de enfermos de todo o jaez procurando soluções mágicas para os problemas que os infelicitam. No entanto, a Doutrina Espírita oferece os recursos terapêuticos preventivos e curativos para sanar o grande mal, que é a reforma interior do indivíduo, baseada na Lei de amor, que se encontra ínsita no Evangelho de Jesus e descrita como “Fora da caridade não há salvação”.

O número, portanto, daqueles que são obsidiados é muito maior do que se pensa. Diante do quadro assustador, faze uma análise de tua conduta emocional e observa em que grau de sanidade te encontras, evitando com todo esforço o transtorno obsessivo de consequências graves.

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 27-07-2017.



Artigo: Lidando com obsessores

sábado, agosto 19th, 2017 123 views

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Tem-se percebido, salvo melhor juízo, que a temática referente à obsessão espiritual tem despertado o interesse de muitas pessoas, inclusive fora do meio espírita.

Considerando que os problemas decorrentes de obsessão espiritual não são fatos novos criados pelo Espiritismo, mas, ao contrário, sempre existiram, creio que esse interesse pelo tema tenha ocorrido como consequência da divulgação espírita, a partir, principalmente, das obras do Chico Xavier, bem como da propagação midiática da Doutrina Espírita nos últimos anos.

A ação obsessiva de um espírito desencarnado sobre outro encarnado não é especificidade dos espíritas. Por ser uma condição humana, atinge a todos, indistintamente,independente de crença, sexo, condição social ou aceitação do fato. Logo, é um tema que deve receber a atenção de todos, com vistas a solucionar a causa geradora ou, pelo menos, mitigar, momentaneamente, os efeitos, até que a causa seja efetivamente debelada.

Toda ação obsessiva representa uma condição inferior do obsessor. Espíritos esclarecidos, conscientes da nossa condição de aprendizes da prática do amor, conforme nos ensina a doutrina cristã, não se dão a essa prática. Assim, todo processo obsessivo é obra de espíritos maldosos, vingativos, invejosos ou, simplesmente, frívolos. Por consequência, todos ignorantes da lei de perdão e de amor.

Um dos instrumentos mais eficazes para lidarmos com a obsessão e seus efeitos, visando ao controle e à solução do processo, é aculturar-se sobre ao assunto. Conhecer o conceito, os métodos da ação obsessiva, o fator gerador, a gênese e a manutenção são ações importantes para ajudar na libertação da inquietação obsessiva. Conhecer é primordial para o obsidiado libertar-se do obsessor e para o obsessor libertar-se da ignorância que o mantém no processo obsessivo.

Não obstante, conhecer-se é imprescindível. A sugestão contida no portal do oráculo de Delfos, 350 a.C., mantem-se em vigor: Conhece-te a ti mesmo! Nesse sentido, lembremos Jesus quando nos sugeriu: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará!”.

Libertar-se do jugo obsessivo é trabalho de grande número dos espíritos encarnados;os chamados vivos. Como viajantes do tempo, arrastamos na esteira das nossas existências físicas, ao longo das múltiplas encarnações, as consequências das nossas escolhas atuais e pretéritas, representadas nos compromissos que assumimos uns com os outros, muitas vezes retratadas nos conflitos familiares, com grande carga emocional, com dores e decepções.

Os irmãos, desencarnados ou não, que nos acrisolam nas teias do processo obsessivo alimentam-se, principalmente, do medo consequente da nossa ignorância sobre o tema e navegam nas ondas das nossas crençase das nossas indecisões. A sugestão de Emmanuel para que nos amemos, mas que também nos instruamos, vem ao encontro da nossa necessidade de conhecimento. Isso nos fortalecerá contra a ignorância do bem que caracteriza os espíritos obsessores, encarnados e desencarnados.

O medo que porventura sentimos ao tratarmos desse assunto é consequência do nosso desconhecimento, da nossa ignorância. Na verdade, temos medo do desconhecido. Muitas vezes, por comodismo ou sectarismo religioso fugimos do assunto e preferimos conviver com o processo e seus efeitos, mesmo nos gerando desconforto, angústia e infelicidade.

Assim, a cada dia, estudar espiritismo torna-se uma condição de bem-estar e harmonia intra e interpessoal. Engana-se profundamente quem acessa o Espiritismo em busca de uma doutrina religiosa apenas. Quem assim age, esquece ou desconhece que Kardec conceituou a Doutrina Espírita como uma ciência de observação e uma filosofia com consequências religiosas. Como ciência de observação, compreende a auto-observação na busca de conhecer-se (Conhece-te a ti mesmo) e identificar o que precisa mudar para melhor em nós; como filosofia, define o conjunto de atitudes e comportamentos baseados na doutrina cristã que, se bem compreendidos e bem exercidos, favorece-nos a religiosidade que nos aproxima de Deus, no sentido da religação das criaturas com o Criador.

Todos somos aprendizes da vida, que sempre nos ensina o que precisamos saber para que nos tornemos pessoas melhores. Ser melhor significa viver e conviver na busca permanente do aprendizado que determina que nos amemos uns aos outros. Que cuidemos de nós, mas também uns dos outros na busca da consecução do bem para todos. Essa é a finalidade… o objetivo da vida na Terra.

Ensina-nos a Doutrina Espírita que a obsessão se dá de forma interpessoal de desencarnados para encarnados e vice-versa, bem como entre os encarnados (os vivos). Ocorre, ainda, por intermédio de terceiros, quando o obsessor, não conseguindo atingir diretamente o seu desafeto, o faz mediante o acesso a pessoa querida do indivíduo a quem se dirige a ação obsessiva.

A ação obsessiva se dá de forma mais patente e efetiva quando o obsidiado detém uma sensibilidade mediúnica mais elevada. A mediunidade facilita o acesso do desencarnado ao campo mental do médium. Essa condição, muitas vezes, explica os casos de obsessão indireta, mediante terceiros, como filhos, cônjuges etc.

Há de se perguntar por que os nossos protetores espirituais permitem tal fato. A Terra é um planeta onde encarnam espíritos com necessidades expiatórias, ou seja, que precisam experienciar as consequências de suas escolhas equivocadas, com vistas ao aprendizado e à mudança de comportamento. Não obstante,destina-se também a oferecer as provas que determinarão, ou não, que o aprendizado se deu.Assim, nossosmentores permitemesses enfrentamentos como oportunidades para a construção das experiências que formarão o conhecimento que nos libertará dos males da ignorância e da falta de amor, a partir da conscientização dos erros cometidos, da necessidade do perdão e, principalmente, da mudança interior (reforma íntima).

Quando Jesus nos sugeriu amar aos nossos inimigos, na verdade Ele sabia que aqueles a quem chamamos de inimigos são irmãos que trazemos do passado, como consequência dos nossos relacionamentos tumultuados e egoísticos. Assim, o obsessor do presente é sempre um companheiro do passado.

Muitas vezes, os processos ditos obsessivos são, na verdade, o nosso encontro com esses companheiros, que buscam o ressarcimento de nossas dívidas morais/emocionais para com eles. São irmãos a quem ofendemos e com os quais nos comprometemos em outras existências. Por benevolência divina, é-nos permitido o reencontro para que resgatemos essas dívidas, pela dedicação e zelo que lhes ofereçamos, reconstruindo os laços de fraternidade que deve nos unir.

Ou seja, a melhor – senão a única – forma de lidarmos com aqueles a quem chamamos de obsessores é: 1) alimentarmo-nos de todas as informações que possam nos trazer reflexões e conhecimento sobre a nossa realidade espiritual, da qual não podemos fugir, aceitemos isso ou não; 2) mergulhar em nossa intimidade consciente e inconsciente na busca de atitudes e comportamentos que contrariem a regra áurea dos relacionamentos, que nos manda fazer aos outros apenas o que gostaríamos que nos fosse feito e mudá-los; 3) exercitar a prática do perdão incondicional; e 4) convencer os nossos irmãos obsessores de que estamos imbuídos e conscientes da necessidade de autoaperfeiçoamento, mediante a prática diária do bem e do amor ao próximo – inclusive, e principalmente, a eles próprios.

Por Ricardo Honório, palestrante na Comunhão Espírita de Brasília